
Você é um bom desportista? Recusa admitir que é um doente da bola?.
A história que lhe vou contar, é pura imaginação, mas é seguramente coincidente com a história de muita gente.
E não esqueça nunca: A mudança, é a única coisa que está sempre em permanência.
O mundo do futebol, é claramente diferente de qualquer outro fenómeno social, e tem envolventes caricatas e por vezes deliciosas.
Hoje venho falar-vos do meu amigo Noronha, Portuense da Av.da Boavista, e Benfiquista até ao tutano. Não sei se conhecem algum Benfiquista do Porto. Se não conhecem, não sabem o que é um Benfiquista a sério.
Conheci o Noronha em Angola, no longínquo ano de 1974. Era uma figura “sui-generis”, com uma águia tatuada no braço, que exibia orgulhosamente, embora mal feita pra caramba.
No 1º dia que fomos à praia, na ilha de Luanda, cometeu o primeiro acto, rumo à fama: salvou um camarada de morrer afogado, quando já estava bastante aflito. Quando soube que era do Sporting, tentou devolve-lo à agua. Claro que nós não deixa-mos.
Um dia em combate, reparei que usava óculos com o emblema do Porto nas lentes. Justificou-se dizendo que assim via inimigos por todo o lado, e não falhava nenhum.
A guerra acabou, mas mantivemos contacto ao longo dos tempos.
Apaixonou-se por uma mulher chamada Maria da Luz, que era prima de um futebolista chamado Vermelhinho. Veio casar-se a Lisboa, na igreja de Benfica, e fez a festa na estrada da Luz, num restaurante chamado Águia Real.
Teve dois filhos. Um rapaz, a quem chamou Fernando Chalana de Noronha, e bastante mais tarde, uma menina a quem chamava “caga no ninho”, mas que na realidade se chamava Glória da Luz.
Gabava-se de nunca ter entrado no Estádio das Antas, já que a sua religião, “os adoradores da
Águia Suprema”, não lhe permitiam entrar em antros de pecado.
Ao jornal do Porto, chamava de Rectro-merdário. Nunca percebi porquê.
De tanto lhe chamarem Mouro, acabou por se converter ao Islamismo. Alias, não foi a única conversão lá em casa, já que anos mais tarde, a sua bela filha, se apaixonou por um garboso moço dos super dragões, e que ele desde logo proibiu de “por o cu lá em casa”, se ele não se converte-se ao Benfiquismo. Claro que o moço não teve outro remédio.
Há pouco tempo, telefonou-me alagado em lágrimas. Tive dificuldade em perceber o que se passava, mas depois de o acalmar, lá o entendi.
Descobrira que a sua amada esposa, a mulher da sua vida, durante quase trinta anos apenas estava com o Benfica de vez em quanto,o que era inadmissível para o seu Benfiquismo constante, tanto mais que ele andava desconfiado que a situação ia agravar-se ainda mais.
Choramos juntos e concluímos que de facto não de pode confiar nas mulheres.