
http://www.facebook.com/video/video....56219547767101
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E aqui na objectiva de José Caeiro:
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TERMO DE ABERTURA: Serve este Blog para nele depositar as minhas alegrias e tristezas, vitórias e derrotas, glórias e frustrações. a que juntarei algumas opiniões, mas com fair-play, e sempre sem abdicar deste meu sentir de vermelha afeição. (Foto de José Caeiro)
O título da crónica, até pode parecer um pouco mórbido. Na verdade, não tem nada disso.
Sabemos que o culto dos mortos é algo que desde os primórdios da humanidade, faz parte da cultura de todos os Povos. Apesar disso continuamos a olhar para os cemitérios como um local que desperta estranhos receios e mistérios insondáveis.
É certo que se contam muitas anedotas sobre cemitérios, mas sempre quando estamos longe deles.
Nos finais dos anos 60, trabalhando na Casa Travassos, em Montargil, foi-me incumbida a tarefa de lixar e pintar a armação metálica que protegia uma Campa Rasa de um familiar da Casa. A Campa situava-se, e situa-se ainda certamente, à entrada do Cemitério, por trás dos Jazigos á direita.
Foi um trabalho que me levou vários dias. Pois num desses dias, começou a chover com alguma intensidade, o que me levou a procurar abrigo.
Estando um daqueles enormes Jazigos aberto, não hesitei em recolher-me nele. Recordo-me que havia três ou quatro urnas dispostas nas prateleiras laterais, e como pedido de desculpa pela minha invasão, rezei uma oração por aquelas pessoas que ali descansavam o sono eterno, e senti-me mais tranquilo.
A chuva teimava em não parar, e eu continuei ali, mas cada vez me sentia menos tranquilo, pelo que rezei novamente.
De repente ouvi um pequeno ruído de passos, e vi passar apressadamente um moço conhecido, e chamei-o: “Joaquim! Entra prá qui!”. O Joaquim estava quatro ou cinco metros mais à frente, mas nem sequer olhou para trás. Ele sabia de onde vinha a voz que o chamava, e desatou a fugir esbaforido em direcção à porta de saída, por onde saiu a grande velocidade, quase atropelando uma Senhora que ia a entrar.
Não lhe vi o rosto, mas o medo devia ser tanto e tão visível na sua cara, que a Senhora que ia a entrar, parou no meio do Portão, olhou desconfiada para o interior do Cemitério, hesitou alguns momentos e deu meia volta, voltando para trás.
Ao tentar ajudar, eu pregara um susto de morte ao Joaquim, que acabou por ser extensivo à Senhora que ia entrar.
A chuva acabou por passar e eu voltei à minha tarefa.
Pouco depois, a Senhora da entrada acabou por voltar, mas agora acompanhada por outra Senhora. Ao passarem perto de mim, ouvi claramente parte da sua conversa: “Não sei o que ele viu, mas que viu alguma coisa, viu. Havias de ver a cara dele…”
A convicção da Senhora era tal, que eu próprio comecei a ficar algo temeroso, apesar de naquele caso, o fantasma ser eu.