Ás vezes da-me nisto de passar para o papel algumas das minhas divagações pelo interior das minhas memórias. Gostava de ser como aquelas pessoas que nunca olham para trás, que do passado tratam os museus e para a frente é que é caminho. Mas não sou assim e não me consigo libertar deste saudosismo, como se tivesse deixado algo lá atrás por resolver.
Claro que o futuro me desperta alguma ansiedade , pois ainda tenho muitas coisas que me esperam, e do alto dos meus 62, ainda avisto muito caminho para percorrer. Mas não consigo cortar esta ligação umbilical aos tempos que ficaram para trás, nem fechar a caixinha das lembranças. Talvez porque tenho dificuldade em aceitar esta vida stressante que nos impõe regras e leis que nos empurram para guetos de rede e arame farpado e nos proíbe de por pé fora da estrada. Estou farto de convenções da treta, sempre a vigiar e controlar o meu comportamento, a julgar-me e a colocar-me etiquetas.
Tenho saudades do tempo em que o fato sujo pelo trabalho não incomodava ninguém, e era sinónimo que se fazia pela vida. Tenho saudades do tempo em que todos nós era-mos mais amigos, mais leais e solidários e nos protegíamos uns aos outros. Tenho saudades do meu tempo de menino, das calças rotas e joelhos esfolados, das sapatilhas desfeitas de tanto travar a bicicleta que era de um, mas todos usavam, de subir ás árvores e banhar-me todo nu na presa de rega, de soltar as galinhas mas ter que as guardar, de mudar a cabra para melhores ervados e dar de comer ao porco. Tenho saudades de fazer os trabalhos da escola à luz do candeeiro a petróleo, dos serões em casa dos vizinhos, e tenho uma enorme saudade dos amigos que nunca mais vi.
Tudo isto visto à luz dos dias de hoje, é uma enorme patetice. Mas alguém pode garantir que as coisas que vivemos à luz dos dias de hoje, mais que uma patetice, não são um drama?
TERMO DE ABERTURA: Serve este Blog para nele depositar as minhas alegrias e tristezas, vitórias e derrotas, glórias e frustrações. a que juntarei algumas opiniões, mas com fair-play, e sempre sem abdicar deste meu sentir de vermelha afeição. (Foto de José Caeiro)
sábado, 18 de abril de 2015
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015
MÊS DAS MIGAS EM MORA
Ontem, o meu Paulinho teve o bonito gesto de convidar pai e a mãe para jantar fora. Claro que o convite foi aceite de imediato. A ideia era fazer jus ao mês das migas
Escolhemos um dos mais conceituados restaurantes do Concelho. A ementa das migas não surpreendeu. Diria mesmo que não correspondeu ás expectativas. Acabamos por escolher duas doses para três: migas de espargos e secretos de porco com batata frita, arroz e esparregado. Para beber, água para a Maria e vinho da casa para os homens. Como entradas foram servidos um pires de torresmos, gostosos mas um pouco duros, um pires de azeitonas demasiado moles, mas bem gostosas, um pires de enchidos diversos ás rodelas, ainda quentes e bem bons e um pirs de uma espécie de salada com cogumelos, espargos e gambas com ovos, que estava deliciosa. O vinho era mesmo muito bom, a água não provei mas acredito que não estava má.
De seguida foram servidas as doses solicitadas. Os secretos estavam bons mas a quantidade era para o lado do poucochinho. Nada parecido com os que me foram servidos na feira de S.João, na barraca dos Forcados de São Manços, cozinhados pelas mães dos forcados. Alem de simplesmente fantásticos, veio carne para 15 dias. As migas de espargos, foram uma desilusão. Quase uma fraude. Fazer migas de espargos sem espargos, pode ser uma arte, mas é também uma falcatrua. A carne do alguidar tinha bom aspecto e era macia e gostosa, mas nada comparado com a frijoca das tradicionais matanças, cozinhadas pelas mulheres do povo.
Para a sobremesa, o Paulo escolheu o seu doce favorito e que eu não me lembro o nome, mas é uma base de bolacha, uma camada de requeijão e uma camada de uma calda vermelha que acho que era morango. suponho que aquilo é para ser servido tipo gelado, mas vinha mole e a camada de bolacha era tão dura que precisava de uma moto-serra para a cortar. Enfim!!!!! uma desilusão. O café sim, era muito bom.
A Câmara faz um enorme esforço para promover o mês das migas. Ora este esforço tem certamente custos, cujo retorno para o concelho depende da forma profissional e responsável dos principais interessados, os empresários da hotelaria local, encarem este certame, que para alem deste período promocionado, pode ser rampa de lançamento para a conquista de mercado no resto do ano.
Todos temos dias menos bons, e eu já fui muito bem servido naquele local, mas atenção; Neste período as migas mal servidas de uns, atingem todos.
Escolhemos um dos mais conceituados restaurantes do Concelho. A ementa das migas não surpreendeu. Diria mesmo que não correspondeu ás expectativas. Acabamos por escolher duas doses para três: migas de espargos e secretos de porco com batata frita, arroz e esparregado. Para beber, água para a Maria e vinho da casa para os homens. Como entradas foram servidos um pires de torresmos, gostosos mas um pouco duros, um pires de azeitonas demasiado moles, mas bem gostosas, um pires de enchidos diversos ás rodelas, ainda quentes e bem bons e um pirs de uma espécie de salada com cogumelos, espargos e gambas com ovos, que estava deliciosa. O vinho era mesmo muito bom, a água não provei mas acredito que não estava má.
De seguida foram servidas as doses solicitadas. Os secretos estavam bons mas a quantidade era para o lado do poucochinho. Nada parecido com os que me foram servidos na feira de S.João, na barraca dos Forcados de São Manços, cozinhados pelas mães dos forcados. Alem de simplesmente fantásticos, veio carne para 15 dias. As migas de espargos, foram uma desilusão. Quase uma fraude. Fazer migas de espargos sem espargos, pode ser uma arte, mas é também uma falcatrua. A carne do alguidar tinha bom aspecto e era macia e gostosa, mas nada comparado com a frijoca das tradicionais matanças, cozinhadas pelas mulheres do povo.
Para a sobremesa, o Paulo escolheu o seu doce favorito e que eu não me lembro o nome, mas é uma base de bolacha, uma camada de requeijão e uma camada de uma calda vermelha que acho que era morango. suponho que aquilo é para ser servido tipo gelado, mas vinha mole e a camada de bolacha era tão dura que precisava de uma moto-serra para a cortar. Enfim!!!!! uma desilusão. O café sim, era muito bom.
A Câmara faz um enorme esforço para promover o mês das migas. Ora este esforço tem certamente custos, cujo retorno para o concelho depende da forma profissional e responsável dos principais interessados, os empresários da hotelaria local, encarem este certame, que para alem deste período promocionado, pode ser rampa de lançamento para a conquista de mercado no resto do ano.
Todos temos dias menos bons, e eu já fui muito bem servido naquele local, mas atenção; Neste período as migas mal servidas de uns, atingem todos.
sábado, 10 de janeiro de 2015
CAMINHADAS COM BURROS
Decididamente hoje perdi a
cabeça, Ao virar da ultima badalada das oito da matina, já eu punha os
calcantes fora de casa, e a passo marcado e apressado dei inicio á saudável
intenção de fazer uma caminhada matinal, mas daquelas de longo curso e que me
fizesse perder algumas calorias, fruto da minha desleixada educação alimentar,
mesmo sabendo que tudo o que é bom é ilegal, imoral ou engorda, como dizia uma
canção espanhola dos meus tempos de Sevilha. Mas importante mesmo é
desenferrujar as velhas dobradiças deste esqueleto obsoleto que já me dá mais
chatices que as que eu gostaria.
Saio em direção à rotunda do colégio,
e já fora dos terrenos da che Morense ensaio uns passos de corrida sob o olhar
sorridente de algumas pessoas que a essa hora se encaminham para o cemitério
para cuidar das campas dos seus ente queridos. Rapidamente desisto de tão
louvável esforço, opção forçada por um súbito cansaço, aliás já previsível.
Pessoa amiga acusa-me de “fracote”, ao que eu respondo que não se trata nada
disso, mas apenas de a estratégia que eu escolhi na ocasião. Claro que não o
convenci, mas pelo menos não dei parte de fraco.
Tomo a direção da rotunda sul,
que bem poderia chamar-se de rotunda da unidade concelhia, já que na estrutura
ali existente estão representadas todas as freguesias do concelho.
Aí chegado tomo a direção de
Brotas. Um pouco mais à frente e do lado direito, deparo-me com um numeroso
grupo de burros, mas burros mesmo. Aproximo-me e meto-me com eles. Corto uns
ramos de acácia e ofereço-lhes como se de um manjar se tratasse. Eles olham-me
longamente sem qualquer reação. Pelo seu olhar, acho que estou a fazer figura
de parvo. Provavelmente ali o burro sou eu. Mas atiro-lhes com o ramo de
acácia, eles são sete ou oito, mas nenhum se move. Desisto e sigo o meu
caminho.
Várias pessoas conhecidas
passam por mim no conforto dos seus carros Alguns apitam outros gritam “oh pá,
isso é para correr. A passo lento não vás lá.” Pois não, mas não ligo às
provocações, ponho um olhar de superioridade e escondo a vontade de voltar para
trás. Mas assim que eles desaparecem no horizonte, volto mesmo para trás. Volto
a aproximar-me dos burros, que talvez com medo que lhes oferecesse mais
acácias, não esperam por mim e abandonam o local.
Continuo a fazer o caminho de
regresso já com passo mais lento, e opto por passar pelo novinho em folha
Bairro das Sesmarias, o Bairro mais jovem da cidade. Está bonito o bairro, e
cada vez mais composto. Chegado ao Pavilhão Desportivo, viro à direita e tomo o
trilho inicial. A ideia é terminar o meu passeio/caminhada, na zona de lazer da
Che Morense. Ali chegado, tenho à minha disposição um verdadeiro ginásio ao ar
livre. Faço alguns exercícios e dou por terminado a minha aventura matinal.
Chego a casa cansado e com os pés gelados. Acho que vou acender a lareira, pese
embora a manhã estar no seu inicio. O gato mete-se debaixo dos meus pés e mia
desesperadamente, como se não comesse há quinze dias. Antes do lume vou tratar
dele.
Para um verdadeiro aldeão como
eu, para quem não há nada melhor que a terra, foi um bom inicio de manhã.
Bom dia Mora.
sábado, 3 de janeiro de 2015
UM PARAÍSO À BEIRA RAIA
Nesta busca dos idílicos
recantos recônditos deste nosso chão, dei por mim na margem esquerda do nosso
Raia, um pouco acima da ponte na agora zona de pesca desportiva.
Abstenho-me da movimentação
piscatória e concentro-me na envolvência natural do local, onde desta vez a
ação do homem não destruiu e antes potenciou este altar dos amantes da natureza.
Ali tudo parece viver em harmonia, e as aves e animais que ali habitam não só
aceitam a presença, como também as dádivas de pequenos peixes dos homens que
ali passam horas em luta para capturarem o peixe que de seguida devolvem ao
rio. O vento sopra o salgueiral que se move numa dança desordenada e sem fim. A
passarada esvoaça chilreando, enquanto uma rã coaxa como que avisando de algum
perigo, a lontra que se escapa por entre a mofeda serrada da outra margem. Nos
bancos de cimento caiados de branco á sombra do salgueiral, dois jovens
apaixonados beijam-se, talvez embalados por aquele ambiente tão propicio ao
amor e á união entre o homem e a natureza.
Rousseau disse que a natureza
fez o homem feliz, e foi a sociedade que o tornou miserável. Se é assim, talvez
o homem devesse investir mais na natureza que na sociedade.
De repente dei por mim
embalado nos odores e sons do local. Fechei os olhos e pude sentir tanta coisa
inesperada: O sabor da saudade, o cheiro de tempos antigos, o gosto de tantas
ausências, a lembrança de erros cometidos e a falta de resposta a perguntas que
me embargam a vós.
Volto a abrir os olhos e acho
que esta natureza em movimento só pode realmente ser compreendida por quem olha
na disposição de ver para além do olhar dos olhos; ver com o olhar do espirito.
Pena que nem sempre estejamos disponíveis para tais desprendimentos.
Einstein disse um dia que
quando agredida, a natureza não se defende, só se vinga. Significa isto que
este local tem sido tratado sem agressões? Acho que sim.
Bom dia Mora.
(Imagem PANORAMIO)
(Imagem PANORAMIO)
sábado, 27 de dezembro de 2014
RECUPERAÇÃO DA ANTIGA ESTAÇÃO, AVANÇA
Costuma dizer-se que quem não sabe de onde vem, nunca
saberá para onde vai. Deve ser por isso que hoje me volto para o passado, mas
um passado tornado presente.
Sem luzes natalícias nem ornamentações brilhantes, antes
rodeada de máquinas em manobras e montões de terra de sobejo, a obra de
recuperação da antiga estação da CP, mostra já uma face com evidentes sinais de
nova vida, cada vez com menos cicatrizes nas paredes em renovação. Madeiras e
telhados em avançado estado de prontidão, são já amostra do que será este
pedaço de história viva recuperada, e montra do que no seu tempo foi um pedaço
de modernidade. É essa memória que está de volta.
Cada vez são menos, mas por certo ainda muitos, os que se
lembram da estação com vida própria, carruagens espalhadas pelas linhas que por
ali se estendiam ao lado umas das outras, e até por certo, das viagens a Évora
e das celebres paragens em Pavia, onde o cobrador, ele próprio, desmontava para
fechar a passagem de nível, e que depois voltava a abrir após a passagem do
comboio. Conta-se até, que certo dia numa dessas manobras o maquinista se
esqueceu do cobrador, que simplesmente ficou em terra. Oxalá a história seja
verdadeira, pois a história quer-se autentica.
Em breve a Estação recuperará o seu estatuto de “pessoa”
importante, sem viajantes ao som do trofáfáfe, trofáfáfe, trofáfáfe, mas com
viagem marcada para outros conhecimentos.
Ali mesmo ao lado, outras formas de viver o passado, vão
ganhando vida através de uma estrutura que eu e outros esperamos para ver como
vai ser tratado o nosso passado ancestral, visto à luz da modernidade e das
suas tecnologias. Coisa estranha, isto de ir ao passado através dos olhos da
modernidade.
Seja como for, acredito que esta terra e esta gente, pelo
menos no que concerne ao que de si depende, vai tentando não perder o comboio
(e este é metafórico) do futuro, pese embora todas as dificuldades que lhes
surgem pela frente, num país onde quem manda. manda distribui o mal pelas
aldeias, mas guarda o remédio para as conveniências da sua tribo.
“O mundo é uma bola de algodão que está na nossa mão
fazer voar”
Feliz ano novo Mora.
sábado, 20 de dezembro de 2014
ESTE NATAL QUE NOS É IMPOSTO
Confesso que este sábado saí propositadamente para tentar encontrar inspiração para dar continuidade a estas minhas cronicas de sábado, mesmo sem saber se alguém se interessa por elas, e se dá ao trabalho de lê-las. Na verdade julgo que interessante mesmo é eu escrever para mim, exercitar o cérebro, pôr os neurónios a fazer ginástica, e ir alinhando algumas ideias, pois pensar e ter ideias é a melhor forma de estar vivo.
Por acaso ou não tanto, talvez de forma maquinal ou instintiva, lá fui eu a caminho da praça, por esta altura vestida de cores e motivos natalícios. Só que desta vez em vez de me focar na sua beleza natural permanente, e cénica de ocasião, dei comigo invadido de pensamentos que me levaram para a temática do Natal consumista e para as campanhas solidarias desta ocasião, como se os valores natalícios fossem letra morta no resto do ano.
É então que me questiono sobre este Natal tão sedutor, que apela à solidariedade ao mesmo tempo que me tenta convencer através de ornamentação brilhante e da manipulação social, a gastar o subsídio de Natal em supérfluas compras embrulhadas em papel de seda alusivo à época, em vez de o guardar para a hora de pagar o seguro da casa, do carro, do selo, do IMI e de outras obrigações que tais, como se fosse assim que se une uma família e se leva ao dialogo e ao entendimento.
A dádiva da solidariedade parece-me ser outra coisa, e fico sempre com a ideia de que este apregoado espírito de Natal, acaba sempre por servir mais o negocio do consumo desenfreado, que a causa dos mais precisados. Julgo que se deveria repensar o que é realmente importante no que diz respeito aos dignos valores morais da humanidade.
Mas tento afastar estas dúvidas que me assaltam, e concluo que acabei por não encontrar a tal inspiração que procurava.
Volto pensativo a casa, na certeza que neste Natal terei a minha consoada habitual, e tudo continuará na mesma, até ao dia em que nos ponhamos todos de acordo para um Natal todos os dias do ano.
Por acaso ou não tanto, talvez de forma maquinal ou instintiva, lá fui eu a caminho da praça, por esta altura vestida de cores e motivos natalícios. Só que desta vez em vez de me focar na sua beleza natural permanente, e cénica de ocasião, dei comigo invadido de pensamentos que me levaram para a temática do Natal consumista e para as campanhas solidarias desta ocasião, como se os valores natalícios fossem letra morta no resto do ano.
É então que me questiono sobre este Natal tão sedutor, que apela à solidariedade ao mesmo tempo que me tenta convencer através de ornamentação brilhante e da manipulação social, a gastar o subsídio de Natal em supérfluas compras embrulhadas em papel de seda alusivo à época, em vez de o guardar para a hora de pagar o seguro da casa, do carro, do selo, do IMI e de outras obrigações que tais, como se fosse assim que se une uma família e se leva ao dialogo e ao entendimento.
A dádiva da solidariedade parece-me ser outra coisa, e fico sempre com a ideia de que este apregoado espírito de Natal, acaba sempre por servir mais o negocio do consumo desenfreado, que a causa dos mais precisados. Julgo que se deveria repensar o que é realmente importante no que diz respeito aos dignos valores morais da humanidade.
Mas tento afastar estas dúvidas que me assaltam, e concluo que acabei por não encontrar a tal inspiração que procurava.
Volto pensativo a casa, na certeza que neste Natal terei a minha consoada habitual, e tudo continuará na mesma, até ao dia em que nos ponhamos todos de acordo para um Natal todos os dias do ano.
Feliz Natal Mora.
sábado, 13 de dezembro de 2014
MORA É UM JARDIM
Esta semana fui por duas vezes
passear ao nosso fantástico jardim. Nosso de todos nós, pela colaboração
exemplar entre a SC da Misericórdia, proprietária do local, e o Município,
entidade cuidadora daquele belo espaço.
Além da beleza natural que nos
rodeia por todos os lados, qual ilha de beleza idílica que nem este outono
invernoso consegue esconder, é extraordinário ouvir algumas histórias de vida,
vindas dos idosos que por ali se juntam e recordam os seus tempos de radiosa
juventude. Fiquei por ali a ouvi-los entre si, falarem do seu tempo de outros
tempos, que não deste que praticamente os ignora. De facto a idade trás muita
sabedoria e é pena que haja tão poucos interessados em aproveitar aqueles
compêndios de experiência de vida, que tanto poderia ajudar os que acham que
nunca vão envelhecer e jamais morrerão.
Mas também crianças por ali
deambulam nas suas brincadeiras infindáveis, e que de vez enquanto se revoltam
contra a mãe que teima em refrear as suas correrias, tudo em nome da roupa que
não se quer suja, como se isso fizesse parte das preocupações das crianças.
Tudo isto me leva a pensar que
de facto naquele pequeno espaço e ao mesmo tempo, estão reunidas as gerações
que representam o princípio e o fim do ciclo que é a nossa passagem transitória
por este minúsculo planeta perdido entre planetas, numa galáxia entre galáxias.
Entre estas duas gerações
desenrola-se toda a azáfama dos que têm por dever cuidar de ambas, ao mesmo
tempo que procuram eles próprios sobreviver perante um sistema que se abate
sobre eles e sobre as suas liberdades, criando-lhes barreiras, em cujas subidas
se vão esgotando as suas forças.
Mas voltando ao jardim, gosto
de pensar que a presença tranquila e destemida da cegonha “Zulmira” no meio de
toda esta movida, possa ser um sinal de que os homens, novos e velhos, e os
outros seres viventes, ainda vão ocupar pacificamente o mesmo espaço, então
tornado num mundo muito melhor.
Até lá, teremos de manter uma
esperança ativa, sabendo que se nos recusam a felicidade, teremos que conquista-la.
Bom dia Mora.
quarta-feira, 30 de julho de 2014
EM GAZA, MAS BEM PROTEGIDA

A RTP esta a fazer reportagem em Gaza, mas escolheu a protecção do exercito Israelita. Claro que do outro lado chovem bombas e metralha, mas é aí que está o local do crime, é aí que está a acontecer o holocausto.
É ao lado do invasor que Márcia Rodrigues nos conta a verdade do que acontece.
Claro que cumpre ordens do sistema que lhe paga. VERGONHA.
sábado, 5 de julho de 2014
TERRORISMO FINANCEIRO
Embora a linguagem, penso que é um óptimo artigo, que nos mostra com clareza, a situação actual e o nosso destino futuro... Este texto já é de Janeiro, peço desculpa, se por acaso já o conhecem... Um canhão pelo cu. O texto que está a incendiar Espanha (a linguagem pode chocar algumas almas sensíveis...)
O seguinte texto foi pulicado no ?El País?, tendo-se tornado absolutamente viral em Espanha. Reflecte sobre o terrorismo financeiro e a captura económica. Chama as coisas pelos seus nomes e faz uma análise sobre o capitalismo actual que está a incendiar não só Espanha como todo o mundo. O título é "Um canhão pelo cu", e é escrito por Juan José Millas.
Um canhão pelo cu
Se bem entendemos - e não é fácil, porque somos um bocado tontos -, a economia financeira é a economia real do senhor feudal sobre o servo, do amo sobre o escravo, da metrópole sobre a colónia, do capitalista manchesteriano sobre o trabalhador explorado. A economia financeira é o inimigo de classe da economia real, com a qual brinca como um porco ocidental com corpo de criança num bordel asiático.
Esse porco filho da puta pode, por exemplo, fazer com que a tua produção de trigo se valorize ou desvalorize dois anos antes de sequer ser semeada. Na verdade, pode comprar-te, sem que tu saibas da operação, uma colheita inexistente e vendê-la a um terceiro, que a venderá a um quarto e este a um quinto, e pode conseguir, de acordo com os seus interesses, que durante esse processo delirante o preço desse trigo quimérico dispare ou se afunde sem que ganhes mais caso suba, apesar de te deixar na merda se descer.
Se o preço baixar demasiado, talvez não te compense semear, mas ficarás endividado sem ter que comer ou beber para o resto da tua vida e podes até ser preso ou condenado à forca por isso, dependendo da região geográfica em que estejas - e não há nenhuma segura. É disso que trata a economia financeira.
Para exemplificar, estamos a falar da colheita de um indivíduo, mas o que o porco filho da puta compra geralmente é um país inteiro e ao preço da chuva, um país com todos os cidadãos dentro, digamos que com gente real que se levanta realmente às seis da manhã e se deita à meia-noite. Um país que, da perspetiva do terrorista financeiro, não é mais do que um jogo de tabuleiro no qual um conjunto de bonecos Playmobil andam de um lado para o outro como se movem os peões no Jogo da Glória.
A primeira operação do terrorista financeiro sobre a sua vítima é a do terrorista convencional: o tiro na nuca. Ou seja, retira-lhe todo o caráter de pessoa, coisifica-a. Uma vez convertida em coisa, pouco importa se tem filhos ou pais, se acordou com febre, se está a divorciar-se ou se não dormiu porque está a preparar-se para uma competição. Nada disso conta para a economia financeira ou para o terrorista económico que acaba de pôr o dedo sobre o mapa, sobre um país - este, por acaso -, e diz "compro" ou "vendo" com a impunidade com que se joga Monopólio e se compra ou vende propriedades imobiliárias a fingir.
Quando o terrorista financeiro compra ou vende, converte em irreal o trabalho genuíno dos milhares ou milhões de pessoas que antes de irem trabalhar deixaram na creche pública - onde estas ainda existem - os filhos, também eles produto de consumo desse exército de cabrões protegidos pelos governos de meio mundo mas sobreprotegidos, desde logo, por essa coisa a que chamamos Europa ou União Europeia ou, mais simplesmente, Alemanha, para cujos cofres estão a ser desviados neste preciso momento, enquanto lê estas linhas, milhares de milhões de euros que estavam nos nossos cofres. E não são desviados num movimento racional, justo ou legítimo, são-no num movimento especulativo promovido por Merkel com a cumplicidade de todos os governos da chamada zona euro.
Tu e eu, com a nossa febre, os nossos filhos sem creche ou sem trabalho, o nosso pai doente e sem ajudas, com os nossos sofrimentos morais ou as nossas alegrias sentimentais, tu e eu já fomos coisificados por Draghi, por Lagarde, por Merkel, já não temos as qualidades humanas que nos tornam dignos da empatia dos nossos semelhantes. Somos simples mercadoria que pode ser expulsa do lar de idosos, do hospital, da escola pública, tornámo-nos algo desprezível, como esse pobre tipo a quem o terrorista, por antonomásia, está prestes a dar um tiro na nuca em nome de Deus ou da pátria.
A ti e a mim, estão a pôr nos carris do comboio uma bomba diária chamada prémio de risco, por exemplo, ou juros a sete anos, em nome da economia financeira. Avançamos com ruturas diárias, massacres diários, e há autores materiais desses atentados e responsáveis intelectuais dessas ações terroristas que passam impunes entre outras razões porque os terroristas vão a eleições e até ganham, e porque há atrás deles importantes grupos mediáticos que legitimam os movimentos especulativos de que somos vítimas.
A economia financeira, se começamos a perceber, significa que quem te comprou aquela colheita inexistente era um cabrão com os documentos certos. Terias tu liberdade para não vender? De forma alguma. Tê-la-ia comprado ao teu vizinho ou ao vizinho deste. A atividade principal da economia financeira consiste em alterar o preço das coisas, crime proibido quando acontece em pequena escala, mas encorajado pelas autoridades quando os valores são tamanhos que transbordam dos gráficos.
Aqui se modifica o preço das nossas vidas todos os dias sem que ninguém resolva o problema, ou mais, enviando as autoridades para cima de quem tenta fazê-lo. E, por Deus, as autoridades empenham-se a fundo para proteger esse filho da puta que te vendeu, recorrendo a um esquema legalmente permitido, um produto financeiro, ou seja, um objeto irreal no qual tu investiste, na melhor das hipóteses, toda a poupança real da tua vida. Vendeu fumaça, o grande porco, apoiado pelas leis do Estado que são as leis da economia financeira, já que estão ao seu serviço.
Na economia real, para que uma alface nasça, há que semeá-la e cuidar dela e dar-lhe o tempo necessário para se desenvolver. Depois, há que a colher, claro, e embalar e distribuir e faturar a 30, 60 ou 90 dias. Uma quantidade imensa de tempo e de energia para obter uns cêntimos que terás de dividir com o Estado, através dos impostos, para pagar os serviços comuns que agora nos são retirados porque a economia financeira tropeçou e há que tirá-la do buraco. A economia financeira não se contenta com a mais-valia do capitalismo clássico, precisa também do nosso sangue e está nele, por isso brinca com a nossa saúde pública e com a nossa educação e com a nossa justiça da mesma forma que um terrorista doentio, passo a redundância, brinca enfiando o cano da sua pistola no rabo do sequestrado.
Há já muitos anos que nos metem esse cano pelo rabo. E com a cumplicidade dos nossos..., depois de termos perdido os anéis dos dedos...
Juan José Millas
notícia dinheiro vivo
(Recebido por email)
Imagem: Hiperbórea Juvenália
O seguinte texto foi pulicado no ?El País?, tendo-se tornado absolutamente viral em Espanha. Reflecte sobre o terrorismo financeiro e a captura económica. Chama as coisas pelos seus nomes e faz uma análise sobre o capitalismo actual que está a incendiar não só Espanha como todo o mundo. O título é "Um canhão pelo cu", e é escrito por Juan José Millas.
Um canhão pelo cu
Se bem entendemos - e não é fácil, porque somos um bocado tontos -, a economia financeira é a economia real do senhor feudal sobre o servo, do amo sobre o escravo, da metrópole sobre a colónia, do capitalista manchesteriano sobre o trabalhador explorado. A economia financeira é o inimigo de classe da economia real, com a qual brinca como um porco ocidental com corpo de criança num bordel asiático.
Esse porco filho da puta pode, por exemplo, fazer com que a tua produção de trigo se valorize ou desvalorize dois anos antes de sequer ser semeada. Na verdade, pode comprar-te, sem que tu saibas da operação, uma colheita inexistente e vendê-la a um terceiro, que a venderá a um quarto e este a um quinto, e pode conseguir, de acordo com os seus interesses, que durante esse processo delirante o preço desse trigo quimérico dispare ou se afunde sem que ganhes mais caso suba, apesar de te deixar na merda se descer.
Se o preço baixar demasiado, talvez não te compense semear, mas ficarás endividado sem ter que comer ou beber para o resto da tua vida e podes até ser preso ou condenado à forca por isso, dependendo da região geográfica em que estejas - e não há nenhuma segura. É disso que trata a economia financeira.
Para exemplificar, estamos a falar da colheita de um indivíduo, mas o que o porco filho da puta compra geralmente é um país inteiro e ao preço da chuva, um país com todos os cidadãos dentro, digamos que com gente real que se levanta realmente às seis da manhã e se deita à meia-noite. Um país que, da perspetiva do terrorista financeiro, não é mais do que um jogo de tabuleiro no qual um conjunto de bonecos Playmobil andam de um lado para o outro como se movem os peões no Jogo da Glória.
A primeira operação do terrorista financeiro sobre a sua vítima é a do terrorista convencional: o tiro na nuca. Ou seja, retira-lhe todo o caráter de pessoa, coisifica-a. Uma vez convertida em coisa, pouco importa se tem filhos ou pais, se acordou com febre, se está a divorciar-se ou se não dormiu porque está a preparar-se para uma competição. Nada disso conta para a economia financeira ou para o terrorista económico que acaba de pôr o dedo sobre o mapa, sobre um país - este, por acaso -, e diz "compro" ou "vendo" com a impunidade com que se joga Monopólio e se compra ou vende propriedades imobiliárias a fingir.
Quando o terrorista financeiro compra ou vende, converte em irreal o trabalho genuíno dos milhares ou milhões de pessoas que antes de irem trabalhar deixaram na creche pública - onde estas ainda existem - os filhos, também eles produto de consumo desse exército de cabrões protegidos pelos governos de meio mundo mas sobreprotegidos, desde logo, por essa coisa a que chamamos Europa ou União Europeia ou, mais simplesmente, Alemanha, para cujos cofres estão a ser desviados neste preciso momento, enquanto lê estas linhas, milhares de milhões de euros que estavam nos nossos cofres. E não são desviados num movimento racional, justo ou legítimo, são-no num movimento especulativo promovido por Merkel com a cumplicidade de todos os governos da chamada zona euro.
Tu e eu, com a nossa febre, os nossos filhos sem creche ou sem trabalho, o nosso pai doente e sem ajudas, com os nossos sofrimentos morais ou as nossas alegrias sentimentais, tu e eu já fomos coisificados por Draghi, por Lagarde, por Merkel, já não temos as qualidades humanas que nos tornam dignos da empatia dos nossos semelhantes. Somos simples mercadoria que pode ser expulsa do lar de idosos, do hospital, da escola pública, tornámo-nos algo desprezível, como esse pobre tipo a quem o terrorista, por antonomásia, está prestes a dar um tiro na nuca em nome de Deus ou da pátria.
A ti e a mim, estão a pôr nos carris do comboio uma bomba diária chamada prémio de risco, por exemplo, ou juros a sete anos, em nome da economia financeira. Avançamos com ruturas diárias, massacres diários, e há autores materiais desses atentados e responsáveis intelectuais dessas ações terroristas que passam impunes entre outras razões porque os terroristas vão a eleições e até ganham, e porque há atrás deles importantes grupos mediáticos que legitimam os movimentos especulativos de que somos vítimas.
A economia financeira, se começamos a perceber, significa que quem te comprou aquela colheita inexistente era um cabrão com os documentos certos. Terias tu liberdade para não vender? De forma alguma. Tê-la-ia comprado ao teu vizinho ou ao vizinho deste. A atividade principal da economia financeira consiste em alterar o preço das coisas, crime proibido quando acontece em pequena escala, mas encorajado pelas autoridades quando os valores são tamanhos que transbordam dos gráficos.
Aqui se modifica o preço das nossas vidas todos os dias sem que ninguém resolva o problema, ou mais, enviando as autoridades para cima de quem tenta fazê-lo. E, por Deus, as autoridades empenham-se a fundo para proteger esse filho da puta que te vendeu, recorrendo a um esquema legalmente permitido, um produto financeiro, ou seja, um objeto irreal no qual tu investiste, na melhor das hipóteses, toda a poupança real da tua vida. Vendeu fumaça, o grande porco, apoiado pelas leis do Estado que são as leis da economia financeira, já que estão ao seu serviço.
Na economia real, para que uma alface nasça, há que semeá-la e cuidar dela e dar-lhe o tempo necessário para se desenvolver. Depois, há que a colher, claro, e embalar e distribuir e faturar a 30, 60 ou 90 dias. Uma quantidade imensa de tempo e de energia para obter uns cêntimos que terás de dividir com o Estado, através dos impostos, para pagar os serviços comuns que agora nos são retirados porque a economia financeira tropeçou e há que tirá-la do buraco. A economia financeira não se contenta com a mais-valia do capitalismo clássico, precisa também do nosso sangue e está nele, por isso brinca com a nossa saúde pública e com a nossa educação e com a nossa justiça da mesma forma que um terrorista doentio, passo a redundância, brinca enfiando o cano da sua pistola no rabo do sequestrado.
Há já muitos anos que nos metem esse cano pelo rabo. E com a cumplicidade dos nossos..., depois de termos perdido os anéis dos dedos...
Juan José Millas
notícia dinheiro vivo
(Recebido por email)
Imagem: Hiperbórea Juvenália
sábado, 7 de junho de 2014
18.000 HOMENS
Acho incrível que esta foto, tirada há tantos anos, ainda exista!
E agora, alguém coloca na WEB para todos nós vermos
Essa foto incrível foi tirada em 1918.
São 18.000 homens preparando-se para a guerra num acampamento
de treino em Camp Dodge, no Iowa.
Dezoito mil homens !!!!!
Dados da Foto
Base de Ombro: 150 metros
Braço Direito: 340 metros
Parte mais larga do braço segurando tocha: 12 1 / 2 m eet
Polegar direito: 35 metros
Parte mais espessa do corpo: 29 pés
Mão esquerda comprimento: 30 pés
Face: 60 pés
Nariz: 21 pés
Longest Spike pedaço de cabeça: 70 pés
Tocha e chama combinado: 980 metros
Número de homens na chama da tocha: 12.000
Número de homens na tocha: 2.800
Número de homens no braço direito: 1.200
Número de homens no corpo, cabeça e equilíbrio da figura apenas: 2.000
Total de homens: 18.000
(Recebido por e-mail)
E agora, alguém coloca na WEB para todos nós vermos
Essa foto incrível foi tirada em 1918.
São 18.000 homens preparando-se para a guerra num acampamento
de treino em Camp Dodge, no Iowa.
Dezoito mil homens !!!!!
Dados da Foto
Base de Ombro: 150 metros
Braço Direito: 340 metros
Parte mais larga do braço segurando tocha: 12 1 / 2 m eet
Polegar direito: 35 metros
Parte mais espessa do corpo: 29 pés
Mão esquerda comprimento: 30 pés
Face: 60 pés
Nariz: 21 pés
Longest Spike pedaço de cabeça: 70 pés
Tocha e chama combinado: 980 metros
Número de homens na chama da tocha: 12.000
Número de homens na tocha: 2.800
Número de homens no braço direito: 1.200
Número de homens no corpo, cabeça e equilíbrio da figura apenas: 2.000
Total de homens: 18.000
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