quarta-feira, 30 de setembro de 2009

CAMINHOS...

Já fui guerreiro
um combatente
já fiquei em primeiro
e já fui um desistente
eu já acreditei
e fui vidente
já ceguei
e fui descrente
já senti a revolta
e fui injustiçado
deixei a raiva à solta
e cometi o pecado
já confessei a dor
e esqueci o compromisso
já neguei o amor
e paguei por isso
já chorei sózinho
e cantei acompanhado
já sonhei com o carinho
que deixei abandonado
já blasfemei
e caí em oração
já amei
e deixei cair o amor no chão

Sou a soma
das minhas vivências
escrevo ambiguidades
para os outros
mas
para mim são dialogos
comigo próprio.
Sou o "eu" adaptado
a este mundo cão
a tentar lembrar-se
do "eu" que ainda tem
algo de que orgulhar-se.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

CUMEADAS, O TREINADOR

O Cumeadas era para muitos, o melhor treinador que passara pelo bairro. Claro que nem todos pensavam o mesmo. Aliás, nem outra coisa seria de esperar. Lá por sermos um clube pequeno, tínhamos direito ás mesmas polémicas e falatórios dos grandes clubes.

Os que gostavam dele, diziam que a equipa praticava um futebol bonito e eficaz, os que não gostavam diziam que com aquele futebol o clube não ia a lado nenhum.

Os que gostavam dele, diziam que a equipa estava bem orientada, obtinha bons resultados, tudo fazia para trazer gente ao estádio, e até conquistava títulos, apesar da federação não apoiar o Clube, e das péssimas arbitragens, sempre em prejuízo do Clube.

Os seus detractores, achavam que ele apenas conquistava títulos menores, não tinha conhecimentos técnicos para a modalidade, afastava os espectadores do estádio, mantinha-se sempre em litigio com a federação, e alguns até propuseram que se muda-se para outro campeonato.

Certo dia, talvez farto de tanta injustiça, talvez por perder a paciência ou simplesmente por cansaço, anunciou que ia abandonar a modalidade.

A maioria ficou preocupada. Conseguiria o Clube arranjar alguém capaz de substituir um treinador competente, conhecedor da modalidade, e que sempre merecera a sua confiança?.

Outros porem, logo manifestaram a sua satisfação pala saída dum técnico que consideravam incompetente, autoritário e que só escolhia jogadores para algumas posições, normalmente erradas.

Todas as moedas têm duas faces e por incrível que pareça, podemos estar todos a olhar para elas, e ver coisas diferentes.

Confesso que sou suspeito, porque gosto do treinador. É um direito que eu tenho, da mesma forma que não contesto o direito dos que não gostam dele. Claro que não vou dizer que ele nunca falha, que usa sempre a táctica certa, ou que o seu modelo de jogo é perfeito. Não há tácticas cem por cento vitoriosas, nem se pode ganhar sempre.

Mas sempre acreditei na sua competência, honestidade e amor ao Clube. Ganhou muitos jogos, engrandeceu o Clube, e tentou sempre manter todos os atletas.

Acredito que o Clube vai escolher outro grande treinador, e desejo ao que sai, a maior sorte do mundo. Até sempre Mister.

domingo, 27 de setembro de 2009

ELEIÇÕES

Depois do cumprimento do dever cívico do voto, e do desempenho do "honroso cargo de membro de mesa", foi o regresso a casa para curtir um resultado nem bom nem mau, mas que soube claramente a pouco.
O Povo decidiu, está decidido. Cumpra-se a vontade do Povo.
Por mim, vou tomar um banho retemperador, que me tire do corpo o suor de um dia diferente. Depois, com a tranquilidade de quem acha que se portou bem, espero que carinhosamente a Maria ponha a janta na mesa.
Mas continuo a acreditar que sim; é possível.

sábado, 26 de setembro de 2009

ESCOLHER...

A promessa de mudar de vida

Feita esperança traída

Tornou-se o nosso fado.

Se te resta esperança na alma

Aproveita essa tarde calma,

Mas pensa bem, tem cuidado.

Qualquer Domingo à tarde

Quando chove ou o sol arde

É bom para um novo resultado:

Escolher com razão

Entre quem distribui o pão

E o que tem o pão guardado.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

OS BEATLES, MAIS FAMOSOS QUE CRISTO

Quando em 1966, Lennon afirmou que os Beatles eram mais famosos que Cristo, o mundo Católica veio abaixo, e os vinis do grupo eram queimados como forma de protesto contra tal heresia. Lennon praticamente foi obrigado a pedir desculpa.
Vem agora , 46 anos depois, o jornal Telegraph fazer um estudo, e provar que ainda hoje os Beatles são mais famosos que Jesus Cristo.
O que me surpreende, é que se possa fazer disso uma grande noticia, quando me parece evidente que facto salta à vista de toda a gente. Senão vejamos: Os Cristãos estão calculados entre 1,5 e 2,1 biliões; Os Muçulmanos, por exemplo, serão 1,7 biliões. Ora se uns e outros gostarem dos Beatles, a conclusão é evidente. Isto para não falar dos outros...

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

QUALQUER SEMELHANÇA, NÃO É CUINCIDÊNCIA

No fundo, Ramiro era uma criança como as outras. Oriundo de uma familia pobre, percorreu os mesmos caminhos. Andava descalço, guardava galinhas e perús, espantava pardais e comia pão com pão. Nunca passou fome mas não conhecia a fartura.
Foi á Escola, e foi bom aluno.
Filho de mãe solteira, depressa aprendeu a viver com esse estigma, e a fazer-se respeitar. Muitas vezes teve de usar a força, e exebia orgulhosamente o rosto marcado por nodoas negras e escoriações várias. Mas criou o seu espaço.
Cedo começou a ganhar o seu pão. Foi dificíl, mas teve sorte. Caiu numa casa de gente do bem, onde lhe moldaram a personalidade, e lhe transmitiram codigos de honra, regras de comportamento e exemplos de vida, que foram vitais para a sua formação emquanto homem e cidadão.
Combateu em Africa, em nome de uma ilusão que não era sua. Mas gostou daquela terra e daquela gente. Em terra de Pretos, fêz bons amigos de todas as cores, e conheceu muitos filhos da "outra". Eram todos Brancos.
Foi um jovem de sucesso entre as mulheres. Casou por amor, e nasceram-lhe três filhos, em função dos quais continua a defenir as suas prioridades.
Ramiro pensa que é boa gente, bom Pai e bom Marido. Não se embebeda e entra cedo em casa. Ás vezes, até ajuda no lar, e defende a teoria de que em casa quem manda é a Mulher.
Não tem medo dos outros nem das dificuldades da vida, mas teme pelo futuro dos seus e do seu povo.
Já enfrentou a morte sem temor, mas é capaz de chorar perante uma cena dramática, ou a emoção de um reencontro.
Bem vistas as coisas, Ramiro é um sentimentalão.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

O NOSSO CEREBRO, FAZ MARAVILHAS

O nosso cérebro é dodio!!
De aorcdo com uma peqsiusa de uma uinrvesriddae ignlsea,
não ipomtra em qaul odrem as
lteras de uma plravaa etãso,
a unica csioa iprotmatne é que
a piremria e útmlia lteras etejasm
no lgaur crteo. O rseto pdoe ser
uma bçguana ttaol, que vcoê
anida pdoe ler sem pobrlmea.
itso é poqrue nós não lmeo
cdaa ltera isladoa, mas a plravaa
cmoo um tdoo.
Sohw de bloaa.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

DEBATE POLITICO

Esta retórica discursiva
frenética e de implicação interventiva
mas de clara ocultação
tente impedir a possibilidade analítica
para manter o rumo desta politica
e manter o poder em contra mão

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

BUGALHÕES E FERROBISTAS

No seu livro Alentejo é Sangue, Antunes da Silva fala-nos de um Alentejo distante no tempo mas ainda demasiado próximo na realidade.
Num dos capítulos, Bugalhões e Ferrobistas, que tem como cenário a Cidade de Évora, o autor fala-nos de uma forma de vida que me fez pensar e que acho que vale a pena meditar por também ela não estar totalmente fora do presente.
Vou contar-vos o que vi, como se eu fosse o Barbeiro, e vocês, o Cainó:

O Cainó teve conhecimento de que eu lhes queria contar um episódio histórico, e logo correu a convocar todos os amigos para o acompanharem.

Ao chegarem à barbearia, recebi-os com um sorriso aberto e bons conselhos: disse-lhes que a infância é uma idade maravilhosa e deve ser bem aproveitada. Perguntei-lhes se já conheciam a história dos bugalhões e ferropistas. Embora eles já tivessem ouvido falar dela, gostavam da maneira como as contava, pelo que responderam que nada sabiam.

Contei-lhes então que em tempos idos, parte da cidade era terra de bugalhões, e outra parte pertencia aos farrobistas. Cada uma das partes diferenciava-se pela forma de vestir e até pela alimentação. O que se comia num lado, não se comia no outro. De tal forma que qualquer forasteiro tinha que se limitar aos pratos da zona. Não encontrando nada que se cozinhasse no outro. Acontecia até que, sendo a câmara e as finanças num dos lados, os do outro lado não se atreviam a ir lá, pelo que tinham um intermediário, previamente aceite pelo outro lado, para tratar de todos os assuntos a realizar nessa área.

Quando, por engano ou atrevimento, alguém invadia a área contrária, era severamente castigado, e logo feito prisioneiro.

Após a devolução do prisioneiro, em campo neutro seguiam-se combates entre as facções. Fisgas, pedras e fundas, eram as armas utilizadas.

Quando se recuperava um prisioneiro, era logo rodeado pelos companheiros para saberem o que tinha visto do outro lado: coisas novas, obras e melhoramentos e também como se deixara apanhar.

Logo começava o combate com pedradas a torto e a direito, com vidros das janelas e candeeiros partidos. Havia sempre feridos a tratar no hospital. A batalha terminava com a chegada da guarda.

A história foi-se repetindo através dos tempos.

Certo dia, chegou aos terrenos dos farrobistas, um desconhecido que despertou a curiosidade e desconfiança nos naturais. O estranho perguntou pelo Sr. Sampedro antiquário, que era seu irmão. Encontrada a casa, entrou e lá se demorou muito tempo. O mesmo homem foi visto depois em terra de bugalhões, perguntando pelo Sr. Sampedro Alvanel, que era seu irmão. Encontrada a casa, por lá se demorou. O homem passou então a almoçar em terras de farrobistas, e a jantar e dormir em solo de bugalhões. Um dia, às portas de machede, subiu a um banco e falou às pessoas: disse-lhes que voltava à sua terra, vindo da América, e se admirava de ver a cidade dividida, e o povo da mesma raça a lutar pelos mais ridículos. De tal forma que tendo ele dois irmãos a viver em partes diferentes da cidade, estes não mantinham relações familiares, só para não romperem um pacto medieval.

Ora se na cidade viviam pretos e até amarelos, gente de outras cores e raças que eram respeitados pelas duas comunidades, porque não se estimavam a eles próprios, e mandavam às urtigas as rivalidades que só servem para alterar os bons costumes e desencadear ódios.

“Um país só evolui na unidade do seu povo” dizia o americano: acrescentando ainda: “para haver unidade tem de haver tolerância”. Numa das partes nascera o seu pai, na outra nascera a sua mãe, pelo que admirava ambos os bairros, e sentia cada um como seu. Propôs então que se encontrassem representantes dos dois bairros, para se fazer a paz.

De ambos os lados houve alguns protestos e ameaças, lembrando cada um dos lados, que ele estava comprometido com o outro lado.

Mas a semente da concórdia ficou lançada. Os combates terminaram, os raptos e provocações não aconteciam mais. Um bugalhão fugiu com uma farrobista, e foram casar a uma aldeia próxima. Um farrobista fugiu com uma bugalhoa, e foram casar à capela de uma quinta vizinha.

Nos jornais da cidade, o “americano” escrevia que já não havia bugalhões e farrobistas, mas um só povo e uma só língua, defendendo os mesmos interesses. E falou na vitória dos tolerantes e dos simples.

As bugalhoas casavam com farrobistas, as famílias uniram-se. Cresceu a fama da cidade. E aos poços, ano após ano, a terra purificou-se.

Às vezes é assim: uma frase inspirada vale um poema. De desavindos, passaram a ser irmãos uns dos outros. O “americano”, satisfeito por ter voltado à terra, pensou que já podia morrer descansado.

domingo, 20 de setembro de 2009

O COMBOIO FOI PRESO

Foi com enorme surpresa que tive conhecimento da prisão do comboio.
Segundo o "Jornal da Caserna", a GNR actuou por denuncia, o que prova que desconhecia a existência do popular comboio.
Não sei qual foi o crime do "poucaterra poucaterra", mas fica provado que a autoridade não dorme.
Aqui fica um alerta para os autores dos pequenos assaltos que se têm verificado na nossa terra: Cuidado; a lei está na rua.