TERMO DE ABERTURA: Serve este Blog para nele depositar as minhas alegrias e tristezas, vitórias e derrotas, glórias e frustrações. a que juntarei algumas opiniões, mas com fair-play, e sempre sem abdicar deste meu sentir de vermelha afeição. (Foto de José Caeiro)
domingo, 13 de setembro de 2009
HÍMENOPLASTIA...
sábado, 12 de setembro de 2009
ESCARAVELHOS
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
POLITICAMENTE INCORRETO
Hoje veio-me à memória um celebre P.Sor – Montargil, disputado no Matuzarense, e que terminou com a vitória do Montargilense por 2-1 ou 3-2, já não sei bem. Mas foi à quase 40 anos.
Nesse longínquo dia, presenciei uma tentativa de limitar a manifestação de alegria de um adepto, que terminou de forma caricata. Mas antes de vos falar nisso, vou tecer algumas considerações sobre o chamado “politicamente correcto”.
Sou dos que acham que esse tal de “politicamente correcto”, e não estou a falar de educação nem de boas maneiras, muitas vezes não passa de disfarce e medo da verdade ou conveniência pessoal, e outras, de graxisse e subserviência. E lá diz o povo “Mais se deve temer a língua do adulador, que a espada do perseguidor”.
Por outro lado, deve ser uma chatice essa coisa da imparcialidade, da isenção e da neutralidade . Eu não poderia viver feliz, se não pudesse manifestar as minhas preferências, e as minhas paixões.
Agora, cá vai a crónica sobre uma manifestação de alegria quase interrompida:
O jogo aproximava-se do fim. Montargil empatava em Ponte Sôr, e dava baile. Um adepto Lagarto, não continha a sua alegria:
---Montargil olé, Montargil olé.. aí Zezinho…vai-te a eles…dá-lhes….
Outro adepto:
---Esteja calado. Não vê que está ali o Sr. Presidente…
O Montargilense controlou-se…mas não por muito tempo.
---À ganda Maurício… ca ganda defesa…éh éh…estes gajos na valem nada…
O outro volta á carga:
---Não vê ali o Sr. Presidente acompanhado de 2 senhoras? Tenha tento na língua !!
O nosso adepto já estava farto da conversa. De repente…
---Golo…Gooooolooo… foi o Quim Carapau…ca ganda golo…éh éh éh…estes gajos da Ponte Sôr têm a mania, mas vão papálas…áh áh áh
O outro:
---Seja educado. O Sr. Presiden…
---Vá barda#er*a más ó presidente…o único Presidente que conheço, é o Manuel Pires, que ele é que manda aqui na nossa bola, e ele também está aos pulos… tal na tá a m*rd# !!!
Acabou ali a conversa, mas para mim aquele adepto, acabara de marcar um grandessíssimo golo: O golo da liberdade para gostar dos nossos.
PS- O texto não é exacto. Mas digo exactamente o que queria dizer.
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
VIDAS II
Ela olhou para ele. Tinha sido o seu grade amor, e à mais de trinta anos que não o via, mas nunca o esquecera e sempre guardara carinhosamente na sua memória, um pouco da sua lembrança.
Mas ele não estava como ela o imaginara. O seu aspecto de aldeão rude e envelhecido e até um pouco descuidado, nada tinha do garboso moço de que se lembrava. Percebeu que não havia razão para as memórias que se começavam a esfumar.
Ele deu de caras com ela. Continuava linda, como nas suas recordações. Os trinta anos passados, pareciam ter sido ontem.. Pela sua memória, passaram anos de lembranças que nunca o largaram, e que iam e vinham a seu belo prazer, sem que ele pudesse evita-lo. Percebeu que a aproximação do Outono da vida, não apagara totalmente os seus sentimentos, e que ainda tinha problemas do passado para resolver.
terça-feira, 8 de setembro de 2009
O VELHO VEREDAS
É conhecida a facilidade com que por vezes nos devotamos a certos ídolos, que na maioria das vezes se acaba por concluir que têm pés de barro.
Da mesma forma e com igual facilidade, consideramos quase como monstros, pessoas que mal conhecemos, mas de quem se diz “cobras e lagartos”, normalmente sem sequer sabermos porquê.
É de uma dessas pessoas que vou falar.
A história é longínqua de mais de quarenta anos, e foi-me contada por um amigo. É portanto, uma história em segunda mão, mas que vou contar como se fosse minha. Naturalmente que o nome aqui usado, é fictício.
O Veredas, era um velho barbudo, de aspecto descuidado e carapuça sempre enfiada na cabeça, e a quem nunca vira acompanhado de ninguém. Verdade se diga que ele próprio, não era fácil de ver, a não ser por quem se aproximasse do canavial que separava a sua horta, dos terrenos baldios onde a rapaziada costumava brincar. Só que essa aproximação, só por si, já era um perigo enorme, pois todos sabíamos que o Veredas era um velho mau e perigoso, capaz de fazer mal a uma criança indefesa. Não que nós alguma vez tivéssemos visto ou ouvido qualquer ameaça a quem quer que fosse, mas porque era o que todos diziam.
Perto do canavial, eram bem visíveis duas enormes figueiras, carregadas de figos maduros.
A fome era mais forte que o medo, e não havia Veredas à vista. Parecia certo que ele não estava na horta, e o canavial não era obstáculo para um rapagão de sete longos anos.
Não resisti à tentação, nem fiz muito por isso. Enquanto o diabo esfregou um olho, estava em cima da figueira que me pareceu ter os melhores figos.
Não sei quantos já comera, quando ouvi um ruído. Ao olhar para baixo, tive a clara visão do Inferno: O Veredas estava a olhar para mim. Fiquei de tal modo aterrorizado, e o meu medo devia ser tão visível que o próprio Veredas terá tido pena de mim. Olhou-me e falou sem parar:
---“ Escusas de estar a tremer que eu não te faço mal. Come à vontade e podes voltar sempre que tenhas fome. Mas quando acabares, quero as peles dos figos todas enterradas.”
O Veredas afastou-se rapidamente, e foi já a alguma distância que olhou para trás, e gritou:
---“…mas nunca tragas a cesta!!!”
O Veredas afastou-se definitivamente.
A minha pouca idade e o medo de que estava possuído, levou-me a fugir dali a sete pés, sem entender praticamente nada e sem enterrar as peles dos figos que comera.
Nunca mais esqueci o Veredas, e com o passar dos anos, fui entendendo cada uma das suas palavras, até concluir que o Veredas era um Homem bom, que por razões que só a ele respeitavam, escolhera ser solitário e afastar-se dos outros, que por maldade ou ignorância, não o respeitavam nem entendiam a sua forma de vida.
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
Novas Tecnologias entre Pais e Filhos
Mas é verdade que a falta de atenção e motivação em relação ás exigências educativas tem sido cada vez mais notada, por professores e pais, em crianças e jovens. Não é, também, desconhecido do público em geral, a associação feita entre estas questões, e as novas tecnologias, vulgo computadores, internet, consolas de jogos e telemóveis (não esquecendo a já cinquentona televisão).
De facto, para pais, professores e agentes educativos em geral, torna-se muito difícil competir com os últimos jogos que saíram para a PlayStation 3. Mas não existem motivos para desespero. Para professores e outros agentes educativos, as novas tecnologias contribuem também para tornar mais atraentes as aulas, senão mesmo expandir a sua função de aprendizagem (caso de consultas guiadas á internet nas aulas, por sites com informação relevante para as matérias leccionadas).
No entanto, cabe ás famílias, desde a idade mais precoce, tanto a preparação das suas crianças para o mais correcto e equilibrado usufruto destas tecnologias (com regras previamente estabelecidas entre pais e filhos), como atrai-las a formas de interagir bem mais clássicas. Estou a referir-me aos jogos tradicionais, aos Legos, aos passeios familiares, em suma, meus caros pais, há que arranjar, desde muito cedo, tempo para BRINCAR com os pequenos. Sabemos das exigências da vida quotidiana, mas brincar com os seus filhos irá capacitá-los para interagirem de forma mais saudável e proveitosa no futuro. Encare isto como um investimento na educação e felicidade pessoal e profissional dos seus filhos (pense também em tudo o que vai poupar em explicadores e psicólogos).
E também você, minha cara mãe ou pai, precisa, talvez, de brincar um pouco. A vida já é tão dura e exigente que, já agora, é melhor aproveitar a alegria dos seus filhos, enquanto eles estão consigo. Uma hora por dia de brincadeira conjunta, será pedir muito? Podem fazer turnos. Há que agarrar a atenção das crianças enquanto é tempo.
Miguel Eduardo Lopes (psicólogo)
We love Mantas, ou Mantas 4ever
Quer dizer, o edifício em si é um bocado feio. Vá, é um monstro verde, um lagarto escamoso, um assassino da paisagem, mas há muito amor aqui dentro. Enfim, amizade. Quer se dizer, as pessoas dão-se bem. Eu sei isso, afinal ouço perfeitamente as conversas dos vizinhos, já que as paredes parecem ser feitas de papelão (e eu que tenho um tocador de guitarra como vizinho do lado).
Á parte disso, isto é um óptimo sítio para se viver. Não fosse aqueles elevadores e o barulho que fazem, parecendo comboios fantasma, assaltando os meus ouvidos de 10 em 10 minutos, na relativa paz do meu apartamento (muito relativa), isto era mesmo lindo. Quem cá vive percebe. Mas são elevadores simpáticos.
Ultimamente é que o som que fazem mudou, dando a viva sensação que a qualquer altura podem morrer (e já morreram várias vezes, segundo relatos dos vizinhos). No fundo sou um sortudo por poder viver tal aventura (será que chego ao emprego hoje, ou vou ficar mumificado no elevador do Mantas?).
Eu até usava as escadas, é bom para a saúde e tal, mas alguém vomitou lá, já faz dois dias (sim, ainda lá está), e eu acabei de acordar, vou trabalhar, preciso de imagens bonitas, de inspiração para enfrentar a vida. O que é difícil, quando as luzes não funcionam. Sim, agora sei o que um cego sofre para abrir a porta de casa.
Mas eis que se fez luz. Graças ao novo condomínio (justiça lhe seja feita) novas lâmpadas foram instaladas em todos os andares, e até os elevadores deixaram de arranhar as paredes. Já me informaram que a porta de entrada da torre do Mantas (parte onde resido) é coisa recente, e que devo agradecer ao novo condomínio o facto de me preocupar com vomitados de caloiros, em vez de seringas de toxicodependentes. E até o vomitado desapareceu na lavagem semanal de sábado (mas o vomitador criminoso bem pode esperar, vou-te descobrir pá...).
Enfim, até sou feliz, a minha janela dá para a montanha, a linda montanha agora repleta de neve, para o lindo bosque de cores outonais, e para um lindo esqueleto de edifício com duas gigantes caras desdentadas (sou alentejano, novo na cidade, e se há coisas que não percebo é aquela monumental aberração. Não há uma câmara municipal nesta cidade?).
Mas eu adoro o Mantas. A sério. Mantas 4ever.
Miguel Eduardo Lopes