sexta-feira, 11 de setembro de 2009

POLITICAMENTE INCORRETO

Hoje veio-me à memória um celebre P.Sor – Montargil, disputado no Matuzarense, e que terminou com a vitória do Montargilense por 2-1 ou 3-2, já não sei bem. Mas foi à quase 40 anos.

Nesse longínquo dia, presenciei uma tentativa de limitar a manifestação de alegria de um adepto, que terminou de forma caricata. Mas antes de vos falar nisso, vou tecer algumas considerações sobre o chamado “politicamente correcto”.

Sou dos que acham que esse tal de “politicamente correcto”, e não estou a falar de educação nem de boas maneiras, muitas vezes não passa de disfarce e medo da verdade ou conveniência pessoal, e outras, de graxisse e subserviência. E lá diz o povo “Mais se deve temer a língua do adulador, que a espada do perseguidor”.

Por outro lado, deve ser uma chatice essa coisa da imparcialidade, da isenção e da neutralidade . Eu não poderia viver feliz, se não pudesse manifestar as minhas preferências, e as minhas paixões.

Agora, cá vai a crónica sobre uma manifestação de alegria quase interrompida:

O jogo aproximava-se do fim. Montargil empatava em Ponte Sôr, e dava baile. Um adepto Lagarto, não continha a sua alegria:

---Montargil olé, Montargil olé.. aí Zezinho…vai-te a eles…dá-lhes….

Outro adepto:

---Esteja calado. Não vê que está ali o Sr. Presidente…

O Montargilense controlou-se…mas não por muito tempo.

---À ganda Maurício… ca ganda defesa…éh éh…estes gajos na valem nada…

O outro volta á carga:

---Não vê ali o Sr. Presidente acompanhado de 2 senhoras? Tenha tento na língua !!

O nosso adepto já estava farto da conversa. De repente…

---Golo…Gooooolooo… foi o Quim Carapau…ca ganda golo…éh éh éh…estes gajos da Ponte Sôr têm a mania, mas vão papálas…áh áh áh

O outro:

---Seja educado. O Sr. Presiden…

---Vá barda#er*a más ó presidente…o único Presidente que conheço, é o Manuel Pires, que ele é que manda aqui na nossa bola, e ele também está aos pulos… tal na tá a m*rd# !!!

Acabou ali a conversa, mas para mim aquele adepto, acabara de marcar um grandessíssimo golo: O golo da liberdade para gostar dos nossos.

PS- O texto não é exacto. Mas digo exactamente o que queria dizer.


quarta-feira, 9 de setembro de 2009

VIDAS II

Ela olhou para ele. Tinha sido o seu grade amor, e à mais de trinta anos que não o via, mas nunca o esquecera e sempre guardara carinhosamente na sua memória, um pouco da sua lembrança.

Mas ele não estava como ela o imaginara. O seu aspecto de aldeão rude e envelhecido e até um pouco descuidado, nada tinha do garboso moço de que se lembrava. Percebeu que não havia razão para as memórias que se começavam a esfumar.

Ele deu de caras com ela. Continuava linda, como nas suas recordações. Os trinta anos passados, pareciam ter sido ontem.. Pela sua memória, passaram anos de lembranças que nunca o largaram, e que iam e vinham a seu belo prazer, sem que ele pudesse evita-lo. Percebeu que a aproximação do Outono da vida, não apagara totalmente os seus sentimentos, e que ainda tinha problemas do passado para resolver.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

O VELHO VEREDAS

É conhecida a facilidade com que por vezes nos devotamos a certos ídolos, que na maioria das vezes se acaba por concluir que têm pés de barro.

Da mesma forma e com igual facilidade, consideramos quase como monstros, pessoas que mal conhecemos, mas de quem se diz “cobras e lagartos”, normalmente sem sequer sabermos porquê.

É de uma dessas pessoas que vou falar.

A história é longínqua de mais de quarenta anos, e foi-me contada por um amigo. É portanto, uma história em segunda mão, mas que vou contar como se fosse minha. Naturalmente que o nome aqui usado, é fictício.

O Veredas, era um velho barbudo, de aspecto descuidado e carapuça sempre enfiada na cabeça, e a quem nunca vira acompanhado de ninguém. Verdade se diga que ele próprio, não era fácil de ver, a não ser por quem se aproximasse do canavial que separava a sua horta, dos terrenos baldios onde a rapaziada costumava brincar. Só que essa aproximação, só por si, já era um perigo enorme, pois todos sabíamos que o Veredas era um velho mau e perigoso, capaz de fazer mal a uma criança indefesa. Não que nós alguma vez tivéssemos visto ou ouvido qualquer ameaça a quem quer que fosse, mas porque era o que todos diziam.

Perto do canavial, eram bem visíveis duas enormes figueiras, carregadas de figos maduros.

A fome era mais forte que o medo, e não havia Veredas à vista. Parecia certo que ele não estava na horta, e o canavial não era obstáculo para um rapagão de sete longos anos.

Não resisti à tentação, nem fiz muito por isso. Enquanto o diabo esfregou um olho, estava em cima da figueira que me pareceu ter os melhores figos.

Não sei quantos já comera, quando ouvi um ruído. Ao olhar para baixo, tive a clara visão do Inferno: O Veredas estava a olhar para mim. Fiquei de tal modo aterrorizado, e o meu medo devia ser tão visível que o próprio Veredas terá tido pena de mim. Olhou-me e falou sem parar:

---“ Escusas de estar a tremer que eu não te faço mal. Come à vontade e podes voltar sempre que tenhas fome. Mas quando acabares, quero as peles dos figos todas enterradas.”

O Veredas afastou-se rapidamente, e foi já a alguma distância que olhou para trás, e gritou:

---“…mas nunca tragas a cesta!!!”

O Veredas afastou-se definitivamente.

A minha pouca idade e o medo de que estava possuído, levou-me a fugir dali a sete pés, sem entender praticamente nada e sem enterrar as peles dos figos que comera.

Nunca mais esqueci o Veredas, e com o passar dos anos, fui entendendo cada uma das suas palavras, até concluir que o Veredas era um Homem bom, que por razões que só a ele respeitavam, escolhera ser solitário e afastar-se dos outros, que por maldade ou ignorância, não o respeitavam nem entendiam a sua forma de vida.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Novas Tecnologias entre Pais e Filhos

Tema recorrente em artigos de psicologia nas revistas e jornais, a hiperactividade e o défice de atenção nas crianças e jovens tem ganhado uma dimensão mediática que será, porventura, maior que a própria realidade. Parece que quase todas as crianças e jovens de hoje, com maior ou menor intensidade, sofrem destas disfunções, o que está longe de ser verdade.

Mas é verdade que a falta de atenção e motivação em relação ás exigências educativas tem sido cada vez mais notada, por professores e pais, em crianças e jovens. Não é, também, desconhecido do público em geral, a associação feita entre estas questões, e as novas tecnologias, vulgo computadores, internet, consolas de jogos e telemóveis (não esquecendo a já cinquentona televisão).

De facto, para pais, professores e agentes educativos em geral, torna-se muito difícil competir com os últimos jogos que saíram para a PlayStation 3. Mas não existem motivos para desespero. Para professores e outros agentes educativos, as novas tecnologias contribuem também para tornar mais atraentes as aulas, senão mesmo expandir a sua função de aprendizagem (caso de consultas guiadas á internet nas aulas, por sites com informação relevante para as matérias leccionadas).

No entanto, cabe ás famílias, desde a idade mais precoce, tanto a preparação das suas crianças para o mais correcto e equilibrado usufruto destas tecnologias (com regras previamente estabelecidas entre pais e filhos), como atrai-las a formas de interagir bem mais clássicas. Estou a referir-me aos jogos tradicionais, aos Legos, aos passeios familiares, em suma, meus caros pais, há que arranjar, desde muito cedo, tempo para BRINCAR com os pequenos. Sabemos das exigências da vida quotidiana, mas brincar com os seus filhos irá capacitá-los para interagirem de forma mais saudável e proveitosa no futuro. Encare isto como um investimento na educação e felicidade pessoal e profissional dos seus filhos (pense também em tudo o que vai poupar em explicadores e psicólogos).

E também você, minha cara mãe ou pai, precisa, talvez, de brincar um pouco. A vida já é tão dura e exigente que, já agora, é melhor aproveitar a alegria dos seus filhos, enquanto eles estão consigo. Uma hora por dia de brincadeira conjunta, será pedir muito? Podem fazer turnos. Há que agarrar a atenção das crianças enquanto é tempo.

Miguel Eduardo Lopes (psicólogo)

We love Mantas, ou Mantas 4ever

É isso mesmo, nós, estudantes, brasileiros, moldavos, ucranianos e gente pobre em geral (onde me incluo), adoramos o maravilhoso edifício Mantas. Não há nada como o Mantas, verde orgulho de Vila Real.

Quer dizer, o edifício em si é um bocado feio. Vá, é um monstro verde, um lagarto escamoso, um assassino da paisagem, mas há muito amor aqui dentro. Enfim, amizade. Quer se dizer, as pessoas dão-se bem. Eu sei isso, afinal ouço perfeitamente as conversas dos vizinhos, já que as paredes parecem ser feitas de papelão (e eu que tenho um tocador de guitarra como vizinho do lado).

Á parte disso, isto é um óptimo sítio para se viver. Não fosse aqueles elevadores e o barulho que fazem, parecendo comboios fantasma, assaltando os meus ouvidos de 10 em 10 minutos, na relativa paz do meu apartamento (muito relativa), isto era mesmo lindo. Quem cá vive percebe. Mas são elevadores simpáticos.
Ultimamente é que o som que fazem mudou, dando a viva sensação que a qualquer altura podem morrer (e já morreram várias vezes, segundo relatos dos vizinhos). No fundo sou um sortudo por poder viver tal aventura (será que chego ao emprego hoje, ou vou ficar mumificado no elevador do Mantas?).
Eu até usava as escadas, é bom para a saúde e tal, mas alguém vomitou lá, já faz dois dias (sim, ainda lá está), e eu acabei de acordar, vou trabalhar, preciso de imagens bonitas, de inspiração para enfrentar a vida. O que é difícil, quando as luzes não funcionam. Sim, agora sei o que um cego sofre para abrir a porta de casa.


Mas eis que se fez luz. Graças ao novo condomínio (justiça lhe seja feita) novas lâmpadas foram instaladas em todos os andares, e até os elevadores deixaram de arranhar as paredes. Já me informaram que a porta de entrada da torre do Mantas (parte onde resido) é coisa recente, e que devo agradecer ao novo condomínio o facto de me preocupar com vomitados de caloiros, em vez de seringas de toxicodependentes. E até o vomitado desapareceu na lavagem semanal de sábado (mas o vomitador criminoso bem pode esperar, vou-te descobrir pá...).
Enfim, até sou feliz, a minha janela dá para a montanha, a linda montanha agora repleta de neve, para o lindo bosque de cores outonais, e para um lindo esqueleto de edifício com duas gigantes caras desdentadas (sou alentejano, novo na cidade, e se há coisas que não percebo é aquela monumental aberração. Não há uma câmara municipal nesta cidade?).
Mas eu adoro o Mantas. A sério. Mantas 4ever.

Miguel Eduardo Lopes

domingo, 6 de setembro de 2009

NÃO HÁ FESTA COMO ESTA.

Foi mais uma viagem por um Mundo diferente.
Comecei no Brasil dos Sem Terra, até Timor Lorosae. Deambulei entre a Palestina e o Chile de Allende, e pelo meio ouvi gritar: "Cuba sim, bloqueio não."
Vi Povos multi-trajados e de muitos falares, mas todos apresentavam no rosto a mesma determinação: SIM, É POSSIVEL.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

VIDAS...

A taberna, qual templo sagrado, à muito que fechara a porta.
Já se apagaram as gargalhadas dos boémios, e o cheiro a azedo provocado pelos estômago mais frágeis, quase desaparecera.
Já todos se foram.

Todos não...! Um ébrio solitário queda-se ainda, estendido na beira da calçada.
Um galo madrugador, anuncia a alvorada.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

ESTOU CONTIGO


Se estás triste
e a fé não existe,
conta comigo.
Se estás só
e a esperança se fez pó,
conta comigo.
Se queres desabafar,
um ombro para chorar,
conta comigo.

Não tenhas pressa de chegar
e vencerás as dificuldades
da caminhada.
Caminha devagar, mas seguro
Aprecia as belezas do caminho
e sê feliz.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

BRINCADERA? AQUI NÃO TEM BRICADERA.

Se bem me lembro, eram prái finais de Outubro de 1974.

A Sucrusal de Luanda, da Manutenção Militar, fazia anos, e o seu chefe, Coronel Mesquita, entendeu que era data a festejar. Encarregou então o1º Sargento Singa, (diminutivo de Singapura, nome de guerra daquele militar, que de guerreiro tinha pouco, mas tinha muito de Homem de paz, e que mantinha com a Soldadagem, uma relação de amizade e respeito) de organizar a festança. Comes e bebes á maneira, com o ponto alto no Baile. ( A MM tinha 200 funcionário civis)

A minha história começa no salão de baile.

Depois de 2 dias de intenso trabalho do 1º Singa, e da sua equipa, finalmente a sala estava nos conformes.

O 1º Singa, não era Homem para deixar nada ao acaso, pelo que resolveu deixar um soldado á porta. Um gigante negro, de nome Neto, que devia medir prái 1,60m. As ordens do nosso 1º, eram claras:

--- Ó Neto! Ficas aqui á porta, e não deixas ninguém meter aqui o nariz. Nem que seja o Presidente da República.

---Tá bem mê Primero. Se você mandas, você é que sabes.

Tudo normal, se a certa altura não tivesse aparecido por ali o segundo Comandante de Região Militar de Luanda, um Brigadeiro de quem já não recordo o nome. O dito Senhor resolveu meter o nariz exactamente onde o 1º Singa, não queria. Ao tentar entrar, aparece-lhe pela frente o soldado Neto, em atitude que não deixava margem para duvidas:

---Tché!!! Você não entras aí, pá.

O Brigadeiro, certamente homem habituado a ser obedecido, reagiu com surpresa:

---Não entro aí porquê?.

---Voçê não entras aí, porque o nosso 1º Singa não quer, e se o nosso 1º Singa não quer, você não entras mesmo.

O Oficial General, tentou demove-lo:

---Tás parvo ou quê? Não vês que sou o Brigadeiro?.

O Neto não se impressionou:

---Brincadera? Aqui dentro não tem brincadera. Aqui dentro, tem Tropa.

O velho militar, de sorriso nos lábios, deu meia volta, e não chateou mais o Neto.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

CARTA AO PRESIDENTE DA NOSSA BOLA: (ou o ca gente na faz por um amigo)

Exmo. Sr. Presidente da bola cá de Mora, resolvi escrever esta carta a vocemeçê, que é para pedir um favor que não é para mim, que não tenho nada com isso, mas é para um amigo que diz que tem um puto que é bom de bola. Pelo menos é o que ele diz, mas o que ele diz, a mim nada me diz, que já o conheço de gingera. Mas como é para jogar aì, tanto me faz.
Diz o meu amigo que o futebol do filho é musica para os olhos de quem o ouve, e para os ovidos de quem o vê. Ou ao contrario, que na ma lembra bem, e ele explica-se mal como ó caraças. Diz até que as suas fintas fazem lembrar obras musicais como o Diluvio Azul, e a Carmina Buraca, e joga melhor do que a Maria Botânica canta. Todo gente que eu na conheço, mas ele é muito bem relacionado. Disse-me tambem que ele até já tem imagens no IU TUBO, que pelo que percebi, é assim uma especie de televisão, mas em redondo.
O meu amigo passou a tarde a pagar-me imperiais na esplanagem do Custódio da Caniçeira, que tambem é aì de Montargil, e depois de uma tarde a beber á Muá, não podia negar-lhe o favor. Tambem não entendo porque raio ele acha que voçês vão fazer caso de mim, mas tambem ele nunca foi muito esperto.
Bom, mas para falar do puto a voçês, tinha de o ir ver jogar. Foi o que fiz.
De facto, ele não joga mal; joga munta mal. Mas não tanto como se possa pensar; é pior ainda. Joga com os dois pés, só que ao mesmo tempo o que dificulta um pouca o equilibrio. Tem um razoavel jogo de cabeça. Só é pena não ter cabeça que se aproveite. Tem a caracteristica de jogar de cabeça levantada. Até lhe chamam cabeça no ar. Manifesta grande empatia com o público, que não lhe regateia apoio: " ó pá, vai pó tê monte","larga a bola ó urso", "levá pra casa ó camelo". Mas ele na sua humildade, não se envaidece. É m jogador que desce com facilidade, mas tem dificuldade em entender onde fica a baliza. Tambem sobe com muito aproposito. Ainda ontem foi apanhado em cima de uma nogueira do Chico da Adega, caté a mulher dele o correu á pedrada. Mas graças á sua velocidade, não saiu lesionado.
Apesar da sua juventude, é um jogador bastante adultero, na sua forma de jogar.
É um jovem de sucesso entre as raparigas, mas não deixa que isso interfira na sua carreira. Ainda há dias, a Tina da praça, que é rapariga que entende dessas coisas, dizia que ele era frango de aviário, que não cantava nem galava. Não percebi bem o que aquilo quer dizer, mas só pode ser um elogio, que vindo da Tina, não é bricadeira.
Seja como fôr, o que eu queria era que voçês me livrassem do chato do pai, que é mais custoso de aturar que uma carraça, e não é por uma tardada de impes, que paga isso. tanto mais que ele é um unhas de fome, que eu bem tentei cravar-lhe uma choriçazita, ou uma farinhera, para acompanhar as imperiais, mas tá queto. Nem ervelhanas. Uns tramoços salgados como o caraças, e já vás bem.
Se por acaso não precisarem de um jogador com estas caracteristicas, tambem não perdem nada com isso.

Desde já agradeço a intenção que me foi dispersada, sou intencionalmente

Zé Lagarto atravessado de Escaravelho