sábado, 24 de novembro de 2012

MORREU JR


Morreu aos 81 anos, o actor Larry Hagman, o interprete do celebre e maquiavélico  JR, da série Dallas. JR foi dos maiores vilões da TV da minha juventude. Dinheiro, sexo, paixão e sede de poder, moviam a complicada trama de Dallas. Entre 1977 e 1991, milhões de pessoas seguiram esta série que parecia nunca mais acabar.
Adeus JR; Eras um chato. Adeus Mister Hagman; O Sr. eram um grande actor.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

NOVO RECORD


Este modesto espaço, atingiu ontem, 19-11-12, um novo máximo de entradas: 337.
Para os Blogues a sério, isto não é nada, mas para quem não tem pretensões  não deixa de ser um feito.
Obrigado a todos, incluindo os que aqui aparecem por engano.

( Imagem 365Budapest)

domingo, 18 de novembro de 2012

O MASSACRE CONTINUA



PALESTINA

Choro por ti, Palestina
Pela sorte que Alá te destina.
E tu, Gaza Cidade
Pelo sangue que ao sol seca
Dos que nunca chegarão a Meca
Chorarás toda a eternidade.


Aníbal Lopes


SONS DIVINOS



José Cabezas, nativo Americano, nascido na Argentina, faz as suas próprias flautas, que acredita terem alma própria, e que encarnam o grande espírito. Quem ouve este som divinal, não pode duvidar.

sábado, 3 de novembro de 2012

CÂMARA DE MORA, QUER MUSEU


O município de Mora, um dos concelhos do Alentejo mais ricos em vestígios megalíticos, pretende criar um museu interactivo dedicado ao tema, aproveitando a recuperação da antiga estação ferroviária da vila. 

“Estamos a pensar em reunir toda essa riqueza arqueológica centrada na arte megalítica num único equipamento para a mostrarmos ao público com recurso às novas tecnologias”, adiantou à Lusa o presidente da câmara, Luís Simão.

O objectivo é criar um Museu Interactivo de Megalitismo que proporcione “uma experiência diferente” aos visitantes, que não seja baseada apenas na exposição de peças e artefactos.

“Queremos um museu em que as pessoas sejam envolvidas nesse ambiente pré-histórico e possam ter experiências únicas, que mexam com os seus vários sentidos”, acrescentou.

A ideia de criar este museu insere-se na recuperação da antiga estação de comboios da CP e a sua divulgação, por parte do município, coincide com o lançamento da Carta Arqueológica do concelho.

O livro O Tempo das Pedras - Carta Arqueológica de Mora é da autoria de Leonor Rocha, arqueóloga e professora da Universidade de Évora, e dá a conhecer a riqueza megalítica daquela zona alentejana.

Um potencial que a arqueóloga diz ser “interessante” valorizar através de um museu, até porque a autarquia “tem vindo a investir em megalitismo, ininterruptamente, desde há duas décadas”, o que “não é muito comum” em Portugal.

"A ideia tem vindo a germinar e faz todo o sentido”, sobretudo num formato interactivo. “As pessoas estão, neste momento, muito mais ligadas a museus que sejam dinâmicos, com recurso a imagens e sons e onde podem ver coisas diferentes”, frisou Leonor Rocha.

Projecto só avança com apoios comunitários

Segundo o autarca de Mora, está em curso o processo para “seleccionar o gabinete de arquitectura que vai elaborar o projecto de recuperação da estação ferroviária”, numa obra que deverá rondar os “dois milhões de euros”.

Naquele antigo espaço da CP, a par do museu sobre megalitismo, o projeto engloba a instalação da associação Estação Imagem, dedicada à fotografia, de uma zona de biblioteca e outra de computadores e do arquivo municipal.

“A parte mais importante e atractiva é a do núcleo museológico do megalitismo, mas o município só vai avançar com o projecto se existirem apoios comunitários”, alertou.

A candidatura deverá ser apresentada a financiamento comunitário “em Abril ou Maio do próximo ano”, admitiu Luís Simão, que gostaria de ver as obras arrancarem “em 2013, para estarem concluídas em 2014”.

Leonor Rocha realçou que Mora é um dos concelhos do Alentejo com “grande diversidade e quantidade de sítios arqueológicos a nível da pré-história, entre o neolítico e o calcolítico ou bronze inicial”.

“Tem uma grande expressividade de monumentos megalíticos, como antas ou menires, que estão muito bem conservados e alguns deles são excepcionais”, assegurou a arqueóloga, que trabalha na zona desde 1994 e que, na carta arqueológica, compilou 100 anos de investigação no concelho.

in Jornal Público

(Desenho de José Pinto Nogueira)

terça-feira, 30 de outubro de 2012

LEMBRAR A REFORMA AGRÁRIA


A Reforma Agrária é ainda hoje uma referência do Abril do Povo, mas são cada vez menos os que a viveram. Nesta altura de crise, em que o País e o Povo estão nas mãos de interesses estrangeiros, e em que a cada dia que passa o nosso futuro é mais negro, não posso deixar de lembrar um tempo em que acreditamos que tínhamos o nosso destino nas nossas mãos. Não se cumpriu o sonho, mas a experiência que vivi, essa recordá-la-ei para sempre:



Em Outubro de 1975, quando regressei de Angola, era o tempo do sonho chamado “Reforma Agrária”. Curiosamente não assisti ao chamado Verão quente de 75, de que fez parte a ocupação dos latifúndios agrícolas do Alentejo, mas as noticias chegavam a Angola, e sabia que os camponeses, na tentativa de trazer melhores dias para os campos de Portugal, e mais concretamente para os campos do Alentejo, tinham avançado para a ocupação de milhares de hectares de terra  abandonada, na tentativa de acabar com uma sociedade latifundiária, que condenara à miséria, milhares de Alentejanos.
Pois foi nesse sonho que eu acabei por me integrar. Eu não sabia nada de agricultura, mas foi muito fácil a aprendizagem, pois havia sempre alguém disposto a ensinar. Encontrei um ambiente fantástico onde havia lideres, mas não havia chefes. Todas as decisões eram tomadas em plenário, fosse para comprar ou para vender, ou simplesmente para escolher um responsável para qualquer atividade.

Era visível no rosto das pessoas a felicidade e a confiança com que se enfrentava o trabalho. As pessoas sentiam que eram donas do seu destino e do seu futuro. Aquela gente de mãos calejadas pela enxada, pela roçadora e pela gadanha, não se limitavam a cultivar os vales férteis e fáceis. Eles avançavam sobre os montes e as serras, e arrotearam terras de estevas e tojal bravio que nunca antes tinha visto uma ferramenta. Construíram barragens e mudaram a paisagem. Onde antes havia mato cerrado, apareceram cearas de trigo, milho, centeio, cevada e até tomate. Onde havia salgueirais, voltaram a prosperar os canteiros de arroz.
O Alentejo voltava a ser o “Celeiro de Portugal”.
Na UCP (Unidade Colectiva de Produção) 12 de Maio, fiz de tudo um pouco: Limpei valas e desbravei os silvados que impediam a água de chegar aos cultivos  cavei terra para arroz e semeei pasto para o gado, plantei morangos e até cantei ao desafio. Tornei-me mestre na arte de podar pessegueiros, aprendendo as técnicas de abrir a árvore para entrar o sol, cortar as guias que a faziam crescer demais, dar-lhe largura para facilitar a apanha e escolher as melhores guias que dariam depois a produção do ano seguinte. Desisti de aprender a podar macieiras e ameixeiras, porque nunca me entendi com a técnica.
Foi também ali que aprendi a conhecer o povo a que pertencia, mas a vida levara-me por outras andanças.
O homem do campo daquela altura era rude, pouco instruído e pouco dado às regras do comportamento urbano. Mas era extremamente honesto e confiável. Era trabalhador e tinha um enorme sentido do dever no que respeitava à família. Descobri também que isso do homem do campo bater na mulher, não passava de um mito. Trabalhei com centenas de casais, e na grande maioria dos casos, era ela que dirigia a família, administrava a casa e decidia o que fazia falta e o que era supérfluo. Vi muitas vezes em dia de pagamento, o homem receber o seu ordenado e entregar o envelope à esposa. À hora do almoço, sentados no chão ou em pequenos troncos, eram quase sempre as mulheres que escolhiam o tema da conversa, e eram elas também que escolhiam o rumo que ele tomava.
Mas o sonho não durou muito.
A Reforma Agrária nunca passou de um sonho, e não se traduziu em legislação que alterasse o regime de propriedade, nem da distribuição da terra.
Os latifundiários apoiados pelos diversos governos, de que eles e os seus interesses também faziam parte, acabaram por recuperar as terras que não se sabem bem como foram adquiridas ao longo dos tempos, e a resposta à pobreza do campesinato Alentejano, fica mais uma vez adiado, por culpa da improdutividade de largos milhares de hectares de terra abandonada pela burguesia estéril e inútil deste pobre país.
O resultado não se fez esperar: Nos anos 80 o governo indemniza os latifundiários com chorudas recompensas que acompanham a devolução da terra melhorada, e a pobreza voltou ao Alentejo, e com ela a necessidade do povo voltar à emigração.
Resta-nos a esperança chamada “Alqueva”- um dos sorvedouros dos dinheiros públicos de que ninguém fala, e que visa transformar o Alentejo num imenso campo de golfe para os senhores do grande capital recuperarem forças das árduas tarefas diárias.
Para nós, povo Alentejano, sobram os quilómetros e quilómetros de arame farpado, e milhares de tabuletas ameaçadoras que nos atiram à cara os decretos-lei que nos proíbem sequer a aproximação, quanto mais apanhar uns espargos, tubaras ou “outros frutos silvestres”.
Das 412 Cooperativas e UCPs criadas com a Reforma Agrária, resta a memória das pessoas que deram corpo a um movimento que abriu brechas na sociedade Portuguesa, mas que acabou por não cumprir o sonho, tal como o próprio 25 de Abril não cumpriu.

Mas o Povo está na Rua. Teremos nós força para acordar do pesadelo, e recuperar o sonho?


Aníbal Lopes

(Na imagem - Mural UDP, 1980, in Citizen Grave)


sexta-feira, 19 de outubro de 2012

sábado, 13 de outubro de 2012

60 ANOS


A vida tem a duração de um instante.
Talvez por isso não tive tempo de soltar amarras.
Por falta de tempo. Ou por medo do vento.
Continuo sem encontrar saída para as minhas dúvidas
Por falta de tempo. Ou por medo das respostas.
Ainda tenho coisas para recomeçar.
Por falta de tempo. Ou por medo de falhar de novo.
Ainda tenho fechado parte do meu espirito.
Por falta de tempo. Ou por preconceito.
Ainda tenho sonhos por concretizar.
Por falta de tempo. Ou por falta de fé.

Falta-me tempo para envelhecer. É ainda demasiado cedo.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

AMBIENTE E SUSTENTABILIDADE


 

O grande problema ecológico dos nossos dias, é o facto de o ritmo de exploração, degradação e destruição dos recursos naturais, ser superior à capacidade da própria natureza repor esses recursos. Se o homem continuar neste ritmo de destruição maciça de tudo o que o rodeia, o que sobrará para as gerações futuras, são rios poluídos, florestas assassinadas e um ar irrespi
rável, que porá em causa a sua sobrevivência.
Mas a que se deve a destruição da terra em que vivemos? O que leva o homem a ser o seu próprio coveiro?
A ambição. O homem tem explorado tudo na natureza: Os minerais, as florestas e os animais. Mas raramente se preocupa em reparar os seus malefícios. A finalidade é sempre a mesma: A busca desenfreada do lucro.
O sistema capitalista está ligado à produção em massa. Para obter matéria-prima é preciso retirar da natureza diversos recursos. Para manter os lucros, há que continuar uma exploração desenfreada, mesmo que o saldo seja uma devastação profunda do meio-ambiente.
Ultimamente a humanidade tem comprovado os reflexos dessa devastação tais como aquecimento global, elevação dos oceanos, mudanças climáticas, escassez de água entre muitos outros.
Actualmente fala-se muito em energias renováveis, como a água, o sol, o vento ou a biomassa. São as chamadas energias limpas, pois não libertam gases ou resíduos que contribuem para o aquecimento global. Mas parece-me pouco provável que estas energias possam substituir na totalidade o consumo de combustíveis fósseis. Julgo que é preciso, a nível mundial, uma nova política energética, que reduza o consumo desenfreado de energia, principalmente em certos países que só por si, impedem outros de ter a energia de que precisam.
E nós?? O cidadão comum, o que pode fazer? Será que nos é licito continuarmos impávidos e serenos enquanto o nosso mundo, que é também o mudo dos nossos filhos e netos, se vá extinguindo? Acalmará a nossa consciência, o facto de usarmos lâmpadas económicas, separarmos o lixo, ou pouparmos água? Não me parece.
O problema é mais profundo e exige de nós uma intervenção efectiva e activa. Ou fazemos ouvir a nossa voz indignada ou seremos calados para sempre

Aníbal Lopes


sexta-feira, 14 de setembro de 2012

PARALIMPICOS

 Longo a seguir aos Olímpicos, foi a vez dos Paralímpicos mostrarem as suas capacidades desportivas, nos jogos de Londres. Os Paralimpicos Portugueses conseguiram, creio que duas medalhas, e foram apontados como heróis nos jornais e na Televisão. As redes sociais apelavam ao orgulho nos nossos atletas, aos clikes nos "Gosto", e às partilhas. Foi bonita a festa, pá.
Entretanto, nas nossas Vilas e Cidades, continua tudo igual, com as mesmas barreiras de sempre: Não há rampas para cadeiras nos edifícios públicos, não há passeios adaptados à mobilidade limitada dos cidadãos com deficiência, não há casas de banho, e até os estacionamentos a eles reservados, são ocupados por "deficientes" armados em chicos espertos.
Apelamos ao orgulho nos nossos cidadãos com limitações físicas, mas a ideia que dá, é que não os queremos connosco.
As medalhas são bonitas, mas bom mesmo é o respeito pela cidadania de todos, sem excepção.