sábado, 8 de outubro de 2011

Berlusconi desafiado por Giuseppe Verdi ...




Leiam os comentários antes de abrir o video que nos brinda com um estupendo, quiçá histórico, momento de performance musical e revolta cultural, diante dos desgovernos, prevaricações e falta de lideranças, não só no nosso país mas no mundo, como um todo. Um momento intenso e emoção para os apaixonados pela liberdade.

No último dia 12 de março a Itália festejava os 150 anos de sua criação, ocasião em que a Ópera de Roma apresentou a ópera Nabuco de Verdi, símbolo da unificação do país, que invocava a escravidão dos Judeus na Babilônia, uma obra não só musical mas, também, política à época em que a Itália estava sujeita ao império dos Habsburgos (1840).

Sylvio Berlusconi assistia, pessoalmente, à apresentação, que era dirigida pelo maestro Ricardo Mutti. Antes da apresentação o prefeito de Roma, Gianni Alemanno ? ex-ministro do governo Berlusconi, discursou, protestando contra os cortes nas verbas da cultura, o que contribuiu para politizar o evento.

Como Mutti declararia ao TIME, houve, já de início, uma incomum ovação, clima que se transformou numa verdadeira «noite de revolução » quando sentiu uma atmosfera de tensão ao se iniciar os acordes do coral « Va pensiero » o famoso hino contra a dominação.

Há situações que não se pode descrever, mas apenas sentir ; o silêncio absoluto do público, na expectativa do hino ; clima que se transforma em fervor aos primeiros acordes do mesmo. A reação visceral do público quando o côro entoa ? ?Ó minha pátria, tão bela e perdida? - .

Ao terminar o hino os aplausos da platéia interrompem a ópera e o público se manifesta com gritos de « bis », « viva Itália », « viva Verdi ». Das galerias são lançados papéis com mensagens políticas.

Não sendo usual dar bis durante uma ópera, e embora Mutti já o tenha feito uma vez em 1986, no teatro À La Scala de Milão, o maestro hesitou pois, como ele depois disse : « não cabia um simples bis; havia de ter um propósito particular ». Dado que o público já havia revelado seu sentimento patriótico fez com que o maestro se voltasse no púlpito e encarasse o público, e com ele o próprio Berlusconi.
Fazendo-se silêncio, pronunciou-se da seguinte forma, e reagindo a um grito de « longa vida à

Itália » disse:

RICCARDO MUTTI :

« Sim, longa vida à Itália [aplausos] mas ... não tenho mais 30 anos e já vivi a minha vida, mas como um italiano que percorreu o mundo, tenho vergonha do que se passa no meu país. Portanto aquieço a vosso pedido de bis para o Va Pensiero. Isto não se deve apenas à alegria patriótica que senti em todos, mas porque nesta noite, enquanto eu dirigia o côro que cantava ? Ó meu pais, belo e perdido?, eu pensava que a continuarmos assim mataremos a cultura sobre a qual se assenta a história da Itália. Neste caso, nós, nossa pátria, será verdadeiramente bela e perdida [aplausos retumbantes, incluindo os artistas da peça].
Reina aqui um ?clima italiano? ; eu, Mutti me calei por longos anos. Gostaria agora...nós deveriamos dar sentido à este canto ; como estamos em nossa casa, o teatro da capital, e com um côro que cantou
magnificamente, e que é magnificamente acompanhado, se for de vosso agrado, proponho que todos se juntem a nós para cantarmos juntos.»

Foi assim que Mutti convidou o público a cantar o Côro dos Escravos. Pessoas se levantaram. Toda a ópera de Roma se levantou... O coral também se levantou. Foi um momento magnífico na ópera ! Vê-se, também, o pranto dos artistas.

Aquela noite não foi apenas uma apresentação do Nabuco mas, sobretudo, uma declaração da platéia do Teatro da capital dirigida aos políticos.

AGORA NÃO DEIXEM DE VER E OUVIR.


(Recebido por e-mail)

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

SER DE SOMENOS!

A comunicação social no Alentejo e no País.

António Murteira
Autor. Editor e Diretor Executivo da Revista Alentejo.
Engenheiro Técnico Agrário

A generalidade da comunicação social privada, regional e nacional, é

bem o retrato dos políticos, dos capitalistas e dos banqueiros que
mandam no país e nos arruinaram: qualquer coisa de somenos!
Somenos no sentido em que a palavra significa o que “tem pouco ou
nenhum valor”, o “que é medíocre, rasca, ordinário, reles”.
Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea, Academia das Ciências
de Lisboa.
Para essa comunicação social a maioria dos portugueses, que são os
trabalhadores, os jovens, os reformados, pouco contam.
São entendidos como meros “recursos”, uma espécie de bestas de
trabalho, que terão de ser sempre mais espremidos para proporcionarem
lucros crescentes aos capitalistas, aos banqueiros, aos grandes
proprietários de terras..
Se sofrem ou são lançados na pobreza, se ficam sem trabalho, se o
banco lhes fica com a casa, o que se passa nas suas vidas e no seu
mundo, as suas ideias, propostas, e reivindicações, não merecem ser
notícia.
Em contrapartida todas as ideias, propostas, reivindicações,
chico-espertezas dos capitalistas e da alta gatunagem, são ditas e
reditas nessas televisões, rádios e jornais.

Ora, os trabalhadores e os jovens, em todos os países, são os

principais produtores de riqueza e garante da dignidade.
É sabido que o capital, só por si, não gera riqueza real. Não semeia
um campo ou vai à pesca ao mar. Não produz uma batata, um borrego, um
automóvel, um computador, um medicamento. Não constrói uma casa, uma
ponte ou uma estrada. Não escreve um livro ou compõe uma música. Quem
produz esses bens essenciais à vida são os trabalhadores, os técnicos,
os cientistas. Quem mantêm a segurança são os agentes policiais, quem
assegura a defesa do país são os militares.

Experimentem os capitalistas e os banqueiros colocar um milhão de

euros no alto de uma torre ou no fundo de um cofre forte. Vão lá daí a
seis meses e verifiquem se esse capital, só por si, se reproduziu!
Pelas razões apontadas, e pela pluralidade que a Constituição e a lei
vulgar acolhe, a linha editorial e a prática jornalística que esconda
ou desvalorize as ideias, as acções e as propostas de quem trabalha e
produz riqueza, não pode ser considerada senão como uma linha
editorial e uma prática jornalística de somenos: “medíocre, rasca,
ordinário, reles”, “de pouco ou nenhum valor”.
Mas porque estou eu tão indignado logo pela manhã de uma tão aprazível
sexta-feira de outono?
É que, amanhã, trabalhadores e jovens portugueses vão manifestar-se em
Lisboa e no Porto. Vão manifestar-se em defesa da dignidade do povo
português e de Portugal.
E como procede a generalidade da comunicação social?
No Alentejo, jornais regionais como o Diário do Sul (30/9), o Registo
(29/9) ou o Diário do Alentejo (30/9), nas edições que antecedem as
jornadas em Lisboa e no Porto, nem uma entrevista aos dirigentes
sindicais ou a trabalhadores e jovens, nem uma palavra sobre as
dignificantes e patrióticas jornadas nacionais dos trabalhadores.
Dos jornais regionais, que consultei, apenas o Alentejo Popular
anuncia as manifestações de dia 1 de Outubro em Lisboa e no Porto.
Os principais jornais nacionais, nas capas, nem uma palavra (no
interior não sei). O Público nem na capa nem no interior faz a mínima
alusão às jornadas de 1 de Outubro.
A minha conclusão e indignação: é preciso ser-se de somenos
(“mediocre, reles”) para assim proceder!

Pois bem, amanhã lá estarei, em Lisboa, orgulhosamente, com

trabalhadores e jovens do meu país! Com militares e agentes de
segurança do meu país! Com reformados do meu país! Em defesa da
dignidade do meu país!

Évora 30 de Setembro de 2011



AQUI

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

TELE-MEDICINA


"Telemedicina pode ser definida como o conjunto de tecnologias e aplicações que permitem a realização de ações médicas à distância. É possível que novas modalidades de acção médica, onde a telemedicina esteja sendo aplicada, surjam com grande velocidade nos próximos anos. Nos dias de hoje, vem sendo aplicada mais frequentemente em hospitais e instituições de saúde, que buscam outras instituições de referência para consultar e trocar informações (Telemedicina e Telessaúde. Entenda melhor sobre o assunto).

Também vem sendo aplicada para discussões de casos clínicos, auxílio diagnóstico, assistência a pacientes crónicos, idosos e gestantes de alto risco, assim como na assistência direta ao paciente em sua casa."

Este conceito aqui definido pela Wikipédia, parece não ser do interesse do Centro de Saúde de Mora.

Segundo se consta, a unidade de Tele-medicina de Mora, vai ser transferida para Borba, porque o quadro eléctrico do nosso Centro de saúde, não suporta a carga necessária para fazer funcionar o equipamento. Parece que por uma questão de umas centenas de Euros que custaria o reforço do quadro eléctrico, a nossa gente vai perder esta mais valia.

Não sei quem é o culpado, nem quero saber, mas a ser verdade, isto se não fosse mórbido, seria anedótico.





segunda-feira, 26 de setembro de 2011

NAQUELE BECO TRISTE

(Conto infantil)

Debruçada na sua janela triste, a menina sonhava. Os seus cabelos eram cor do Sol, daquele Sol que ela amava mas que nunca penetrava naquele Beco escuro e sujo; os olhos eram cor do mar sem fim, que ela nunca vira...

Ela não via a sua rua estreita e feia, via-a larga e bela, via uma rua onde o Sol entrava todas as manhãs para lhes dar os bons dias e onde a Lua a visitava já tarde para lhes dar as boas noites.......E os seus lábios abriam-se num sorriso vago e mal definido.....

E a menina sonhava......É tão agradável sonhar!E tão consolador poder fazêlo sem contrangimento!

Os seus olhos como dois pardais errantes, andavam de telhado em telhado e perdiam-se para lá dessa rua estreita. O seu olhar de intensa luminosidade revelava uma secreta esperança de um futuro melhor um Futuro de Paz e de Tolerância.......

Menina dos olhos cor do mar, que sonhaste tu para assim sorrires?

Para além do teu Beco escuro e sujo, que viste tu, menina dos olhos cor de Esperança?»


O original deste conto infantil tem o carimbo da censura da pide! Foi enviado da cadeia do Porto em 30/08/1960, por Dinis Miranda para a sua filha Eulália Miranda ( Lála).

Dinis Miranda saiu em liberdade do forte de Peniche no dia 25 de Abril de 1974.


quinta-feira, 22 de setembro de 2011

PODE MATAR-SE O HOMEM,MAS NÃO O SONHO


"Continuem a saber que mais cedo que tarde abrir-se-ão as grandes alamedas por onde passará o homem livre, para construir uma sociedade melhor.
Viva o Chile, viva o povo, vivam os trabalhadores".

Últimas palavras de Salvador Allende transmitidas pela Rádio Magallanes

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

COMEÇOU O OUTONO


"Quem planta no outono, leva um ano de abono"
"Logo que o Outono venha, procura lenha"

Estes e outros provérbios contêm normalmente pensamentos profundos, da experiência nascidos e vividos. Por vezes não lhes vemos muita lógica, e até acusam uma boa dose de erro, mas não lhes falta o romantismo e os afectos.
Se lhes juntarmos umas imagens bonitas e a voz de Djavan, o sonho fica mais fácil.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

MURAIS DE ABRIL







1-Mural “Avante com a Reforma Agrária”, pintado no Cacém em 1975.

2-Pintura mural subordinada ao tema “não ao aumento de transportes; os ricos que paguem a crise!”.

3- Mural "Aliança POVO - MFA", pintado em Belas, Sintra, em 1975.

4- Mural "25 de Abril – 1.º de Maio", pintado pelo MDP/CDE em Belas, Sintra, em 1975.

5- Ontem, como hoje, uma verdade que perdura: “os ricos que paguem a crise!” Mural pintado em 1977 nas paredes de Belas, concelho de Sintra.

6- Mural da AEPPA – Associação de Ex-Presos Políticos Antifascistas pintado em 1974, alusivo à repressão, tortura, analfabetismo, fome, miséria do Povo, PIDE, censura, colonialismo, racismo, corrupção e guerra praticados pela «tenebrosa noite fascista» desde «Maio de 1926 a 24 de Abril de 1974».

Com a devida vénia, retirado DAQUI

terça-feira, 13 de setembro de 2011

GUIA TURISTICO

O concelho alentejano de Mora já tem disponível o seu primeiro Guia Turístico, uma edição da edilidade local com cinco mil exemplares que destaca as quatro freguesias do concelho: Mora, Cabeção, Pavia e Brotas.

Mesmo sendo um guia de bolso, está repleto de imagens, mapas, descrição dos principais locais a visitar e conteúdos históricos de cada freguesia.

“Prazeres” são os títulos de cada secção, que incita os visitantes a explorar ao detalhe cada freguesia, em particular, e o concelho, em geral.

O Fluviário de Mora, o Monumento Nacional Torre das Águias (Brotas), a Mata Nacional de Pinheiro (Cabeção) e o Cromeleque do Monte das Fontainhas Velhas (Pavia) são apenas algumas das atracções que compõem o guia, à venda por um euro na Câmara Municipal, na Casa da Cultura e no Fluviário de Mora.

(Tiago Esteves, in Publituris)

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

JÁ DESCOBRISTE, MIGUEL??


"Porque é que a Festa do Avante faz medo?

É muita gente; muita alegria; muita convicção; muito propósito comum. Pode não ser de bom-tom dizê-lo, mas o choque inicial é sempre o mesmo: chiça!, Afinal os comunistas são mais que as mães. E bem dispostos. Porquê tão bem dispostos? O que é que eles sabem que eu ainda não sei?"


(Miguel Esteves Cardoso, in "SÁBADO", 13 de Setembro de 2007)

Caro Miguel, espero que já tenhas descoberto aquilo que para nós, é tão óbvio.