
A minha passagem militar por Angola constitui ainda hoje, motivo para recordar com saudade os momentos de grande companheirismo e solidariedade de grupo que aí vivi.
Quem viveu situações de guerra, sabe da importância de sentir que há um companheiro que nos defende as costas.
Posso dizer que fui um militar que não passou despercebido, e cujos méritos foram reconhecidos e oficialmente louvados. Faço questão de dizer que os meus méritos, se os houve, nada tiveram de heróicos.
O meu único problema disciplinar, ia-me saindo caro, mas fui salvo por ter algum estatuto.
Por muito simples que pareça o meu erro, ele foi considerado grave.
Certo dia, estando eu de "Cabo de dia", competiu-me ser eu o militar que içava a bandeira durante o render da parada.
Quem conhece este cerimonial militar, sabe a importância que tinha, não só protocolar, como do seu significado enquanto demonstração de poder e posse sobre qualquer coisa.
Pois bem, foi num desses dias que inexplicavelmente icei a bandeira de pernas para o ar.
De nada me apercebi e ninguém se atreveu a interromper aquela "movida guerrilheira".
Acabada a cerimónia, dispersaram as forças, e o Cabo Lopes a ser chamado ao Comando, onde ouviu das boas, quase acusado de alta traição.
Não é por acaso que venho falar disto. Hoje ao fazer umas pesquisas no youtube, dei com uma reportagem da SIC sobre uma visita do nosso Presidente à Polónia. Então não é que lá estava a nossa bandeira de pernas para o ar??
Até estes protocolos altamente preparados, falham.
Não sei de o Coronel Mesquita viu esta reportagem, mas se viu, deve ter-se lembrado de mim.